Sondagem do Reclame AQUI mostra percepção do consumidor sobre o “mercado cinza” de celulares

Foto: Unsplash/Jonas Leupe

Um levantamento recente feito pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) revelou o tamanho do mercado ilegal de celulares no país. Os dados mostraram que cerca de 6,2 milhões de celulares foram vendidos de forma ilegal no país em 2023. Destes, 90%foram negociados via marketplaces.

No Brasil, a comercialização de produtos irregulares e sem autorização do governo é chamada de mercado cinza. Nesse cenário, a venda é feita por meio de canais de distribuição não autorizados ou não intencionais pelo fabricante e esses produtos são geralmente importados e vendidos a preços abaixo do mercado, muitas vezes devido à sonegação de impostos ou outras práticas ilegais.

O Reclame AQUI realizou uma pesquisa com 3 mil usuários da plataforma para tentar entender a percepção do consumidor brasileiro sobre este cenário. Segundo a sondagem, 62% dos respondentes disseram saber que celulares frutos de descaminho são vendidos no Brasil, mas 38% dos pesquisados sequer conheciam essa informação, um índice preocupante que pode facilitar a comercialização desses produtos ilegais por falta de entendimento do tema.

Ainda no levantamento do Reclame AQUI, 74% das pessoas disseram que nunca compraram um produto ilegal, e entre aqueles que indicaram já ter comprado celular que sabia ou desconfiava ser fruto de descaminho, 38% compraram direto com um vendedor, 30% afirmaram ter comprado fora do Brasil e 21% adquiriram pelos marketplaces.

E entre esses, pelo menos 20% tiveram algum problema com o aparelho, como sistema travado (31%), o celular parou de funcionar (23%) e não encontrou assistência técnica (17%).

Edu Neves, CEO e Cofundador do Reclame AQUI, enxerga uma questão muito complexa quando falamos de celulares. Para ele, é preocupante pensar que quem compra um produto de origem duvidosa corre o risco de ficar sem garantia, por exemplo.

“As marcas são globais, isso é fato, mas a assistência técnica não acompanha essa globalização; tem um custo, que muitas vezes está embutido no preço final do celular. Produtos que entram no país de forma irregular, como os frutos de descaminho ou importações diretas, podem ser mais baratos justamente porque esse custo da assistência não está incluso. Mas atenção: essa economia pode sair cara no futuro caso o aparelho apresente algum problema”, alerta Neves.

Na pesquisa, a maioria dos entrevistados diz ter o conhecimento sobre o Selo da Anatel e 76% afirmaram que o consideram importante na compra de um celular, indicando que o selo é capaz de proteger o consumidor de produtos falsificados, proporcionando segurança e qualidade e garantindo assistência e suporte técnico.

“O selo da Anatel surge como uma luz nesse mar de incertezas, garantindo que o aparelho funcione corretamente e esteja dentro das normas brasileiras. Mas será justo que o consumidor tenha que se preocupar com isso? Por que a responsabilidade de garantir a qualidade e a segurança do produto recai sobre o consumidor final?”, questiona Neves.

Comprar um celular de origem duvidosa pode parecer vantajoso pelo preço mais baixo – o estudo da Abinee indica que um celular descaminhado custa 38% a menos do que o mesmo produto vendido no mercado oficial -, mas os riscos e prejuízos envolvidos não compensam a economia inicial.

No fim das contas, analisa Neves, a compra de um celular pode ser um verdadeiro labirinto. Há opções com selo da Anatel, garantia global e assistência técnica confiável, mas também existe o risco de adquirir um produto sem procedência, sem garantia e com riscos à sua segurança. O consumidor precisa estar alerta, pois neste emaranhado de situações, o maior perdedor pode ser ele.

“Felizmente, algumas marcas já resolveram esse dilema e oferecem serviços de assistência em praticamente todo o mundo, independente de onde o produto foi adquirido. A pergunta que fica é: por que o consumidor precisa se arriscar dessa forma? Não seria mais justo que as empresas assumissem a responsabilidade pela qualidade dos seus produtos em todos os países onde atuam? Afinal, a globalização não deveria ser um benefício apenas para as empresas, mas também para os consumidores”.

Uma boa forma de se certificar o quanto a empresa tem esse compromisso com os consumidores é pesquisando as marcas no Reclame AQUI, o atendimento dela aos consumidores na plataforma.

Veja a sondagem completa em https://blog.reclameaqui.com.br/celular-irregular-no-brasil-veja-o-levantamento-dos-ultimos-anos/

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