
O governo russo intensificou a busca por novos combatentes ao transformar instituições de ensino e o setor privado em braços diretos do Ministério da Defesa.
Relatórios recentes indicam que o Ministério da Ciência e do Ensino Superior da Federação Russa impôs metas rígidas para que reitores de grandes universidades recrutem estudantes para o serviço militar.
A medida sinaliza uma nova fase na mobilização russa, focando agora em jovens universitários para reforçar as linhas de frente e as unidades tecnológicas.
Metas estudantis
De acordo com informações de bastidores e fontes ligadas ao projeto Faridaily, o governo estabeleceu que as instituições de ensino superior devem garantir que pelo menos 2% de seus estudantes assinem contratos militares.
Essa diretriz teria sido comunicada pessoalmente pelo ministro Valery Falkov em reuniões fechadas no início de 2026.
A meta não se limita apenas às faculdades, mas também pode ser estendida aos institutos técnicos, o que ampliaria drasticamente o alcance do recrutamento nacional.
Isca tecnológica
Para convencer os jovens, o Ministério da Defesa utiliza a tecnologia como principal atrativo. A estratégia foca na promessa de que os estudantes atuarão como operadores de drones em unidades de sistemas não tripulados, supostamente longe dos combates diretos na linha de frente.
Além da formação especializada, as autoridades prometem pagamentos de ₽ 5.000.000,00 (cerca de R$ 300 mil) e a garantia de que os alunos poderão retornar aos estudos após um ano de serviço militar.
Riscos reais
Apesar das promessas de segurança e tecnologia, defensores dos direitos humanos fazem alertas importantes sobre as letras miúdas desses contratos. Existe um risco real de que os jovens que não atingirem o nível de qualificação exigido para operar Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT) sejam transferidos para outras unidades de combate por ordem do comando.
Nesses casos, o estudante pode ser enviado para ramos mais perigosos das forças armadas sem qualquer aviso prévio ou consentimento.
Pressão privada
O recrutamento compulsório também chegou às empresas da região de Ryazan. O governador Pavel Malkov publicou um decreto estabelecendo cotas para entidades econômicas locais. Na prática, os empregadores agora têm a obrigação de encontrar candidatos para o exército dentro do seu quadro de funcionários sob a justificativa de satisfazer as necessidades das Forças Armadas da Federação Russa.
- Empresas com até 300 funcionários precisam selecionar dois candidatos.
- Negócios com até 500 colaboradores devem apresentar três nomes.
- Grandes empresas com mais de 500 funcionários têm a meta de recrutar cinco pessoas.
Doutrinação escolar
O recrutamento nas instituições de ensino não se resume a anúncios digitais. Atualmente, os estudantes são convidados para programas como “Conversas sobre assuntos importantes” e “Aulas de coragem”, que funcionam como palestras de mobilização.
Levantamentos do projeto Verstka apontam que já ocorreram pelo menos 200 encontros desse tipo em todo o país apenas neste semestre. A combinação de benefícios estatais e a promessa de estabilidade acadêmica no retorno busca criar uma imagem positiva do conflito com a Ucrânia.










