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Roberto Cidade cobra Amazonas Energia por apagão que castiga 580 famílias em Manicoré

Deputado estadual Roberto Cidade - Foto: Herick Pereira

O drama da falta de eletricidade em Manicoré, município localizado a cerca de 390 quilômetros de Manaus, voltou ao centro dos debates na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O deputado estadual Roberto Cidade (UB), presidente da Casa, subiu à tribuna para denunciar que moradores da região do Verdum e de comunidades adjacentes, no baixo rio Madeira, enfrentam um apagão que já dura quase cinco meses. O descaso da concessionária Amazonas Energia atinge diretamente cerca de 580 famílias que vivem em condições precárias sem o serviço essencial.

Esta não é a primeira vez que o parlamentar aciona os órgãos de controle contra a empresa. Em maio do ano passado, Roberto Cidade ingressou com uma Ação Popular para tentar garantir o fornecimento regular na região. No entanto, desde outubro de 2025, o problema retornou com força total, deixando 15 comunidades isoladas da rede elétrica e sem previsão real de solução.

“Desta vez, o problema vem se arrastando desde outubro de 2025 e a Amazonas Energia se omite em resolver a problemática que atinge outras 15 comunidades”, afirmou Roberto Cidade.

Saúde e educação em colapso

O impacto da falta de energia vai muito além do desconforto doméstico e atinge pilares fundamentais da sobrevivência humana no interior do estado. Segundo informações repassadas pelo prefeito de Manicoré, Lúcio Flávio, o desabastecimento compromete o funcionamento de duas Unidades Básicas de Saúde (UBS), colocando em risco o estoque de vacinas e medicamentos que precisam de refrigeração constante.

A educação também está paralisada em diversos pontos da zona rural. O blecaute afeta 20 escolas municipais e instituições de ensino tecnológico, impedindo que crianças e jovens sigam com o calendário escolar de forma digna.

  • Justificativa da empresa: a Amazonas Energia alega que o apagão ocorreu devido ao rompimento de condutores em área de terra firme e furtos de cabos na região do Sobradinho.
  • Responsabilidade: o deputado rebateu a desculpa, afirmando que, independentemente da causa, a manutenção e a vigilância da rede são deveres da concessionária.
  • Tempo de espera: o parlamento estadual considera inaceitável que uma empresa leve quase meio ano para reparar uma linha de transmissão, deixando centenas de pessoas no escuro.

Comunidades esquecidas no Rio Madeira

A lista de localidades afetadas pela inoperância da concessionária é extensa e abrange comunidades tradicionais e aldeias indígenas. O isolamento geográfico dessas áreas torna a dependência da energia elétrica ainda mais crítica para a comunicação e conservação de alimentos.

Entre as comunidades que aguardam o restabelecimento imediato estão Barreira do Matupiri, Matupirizinho, Novos Prazeres, Sempre Viva, Verdum, Aldeia Caiapé, Delícia, São João, Braço Grande, Bracinho, Repartimento, Carapanauba, Cachoeirinha e Curupaiti. Para o deputado Roberto Cidade, a demora configura um desrespeito ao “povo bacurau”, como são conhecidos os naturais de Manicoré.

Fique por dentro

A crise energética em Manicoré expõe a fragilidade da fiscalização sobre as concessões de serviços públicos no Amazonas. Quando uma empresa privada detém o monopólio da distribuição e falha por meses em restabelecer a luz em áreas rurais, ela fere direitos básicos previstos na Constituição. O papel da ALEAM e do Ministério Público é fundamental para que multas pesadas sejam aplicadas e para que a Amazonas Energia cumpra seu contrato. O povo de Manicoré não pode continuar pagando o preço da negligência com a própria saúde e o futuro de seus estudantes.

ASCOM: Michele Gouvêa

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