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Negociação de alto risco em Islamabad expõe o quanto a paz depende de acordos frágeis

O cenário em Islamabad é de uma cidade fantasma devido ao feriado de dois dias e ao fechamento das principais vias para garantir a segurança de delegações de peso. A capital do Paquistão se tornou o centro de uma negociação de alto risco entre os Estados Unidos e o Irã, buscando salvar o frágil cessar-fogo que ameaça ruir.

O objetivo é garantir a paz e o livre fluxo de comércio no estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial.

A logística para o encontro exigiu o esvaziamento do principal hotel de luxo da capital, retirando hóspedes abastados para acomodar os diplomatas. A delegação norte-americana (EUA) será liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro de Donald Trump.

A participação de Teerã ainda enfrenta incertezas após trocas de tiros entre Israel e o Hezbollah.

“A realização de negociações para pôr fim à guerra depende da adesão dos EUA aos seus compromissos de cessar-fogo em todas as frentes, especialmente no Líbano”, afirmou Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, indicando que o país condiciona o diálogo à suspensão dos ataques israelenses.

Crise diplomática e ataques no Líbano

A posição do Paquistão como mediador sofreu um abalo após o ministro da Defesa, Khawaja Asif, publicar uma crítica contundente contra as ações militares de Israel. A postagem foi apagada horas depois, mas o gabinete de Benjamin Netanyahu classificou as observações como ultrajantes.

O Paquistão não reconhece formalmente o Estado de Israel, o que adiciona uma camada de complexidade ao processo.

Enquanto as negociações tentam avançar, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que planeja uma reunião em Washington na próxima semana para discutir o cessar-fogo diretamente com Israel e o Líbano.

No entanto, o governo libanês exige uma trégua imediata antes de iniciar qualquer conversa oficial.

Pressão máxima sobre o petróleo

Donald Trump utilizou suas redes sociais para enviar um aviso direto ao governo iraniano sobre a segurança marítima. Ele acusou o Irã de descumprir os termos do acordo e de não garantir a passagem segura de embarcações.

“O Irã está fazendo um trabalho muito pobre, desonroso, alguns diriam, ao permitir que o petróleo passe pelo Estreito de Ormuz”, afirmou Donald Trump, reforçando que o bloqueio da via é inaceitável para a economia global.

Apesar das tensões, um sinal de fumaça branca surgiu com o navio MSG, de bandeira gabonesa. Ele foi o primeiro petroleiro não iraniano a atravessar o estreito desde o anúncio do cessar-fogo, o que traz uma esperança momentânea para o mercado de energia e fertilizantes.

A postura militar e o futuro da paz

A Guarda Revolucionária do Irã (GRI) manifestou por meio da emissora estatal que suas forças armadas não lançaram ataques contra nenhum país durante as horas de vigência da trégua.

Contudo, Israel mantém a postura de que o Líbano não faz parte do acordo atual.

“Qualquer pessoa que atue contra civis israelenses, nós a atacaremos. Continuaremos a atacar o Hezbollah sempre que necessário”, afirmou Benjamin Netanyahu, após ordenar ataques que resultaram em centenas de mortes em Beirute.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, juntou-se ao coro de preocupação internacional ao declarar que a destruição em território libanês pode fazer todo o processo de paz fracassar.

O mundo agora aguarda os resultados das conversas paralelas em Washington e o desenrolar do encontro em Islamabad para saber se o fornecimento global de petróleo continuará seguro.

Fique por dentro

O Estreito de Ormuz funciona como a principal artéria energética do planeta. Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o canal é estreito o suficiente para que qualquer conflito militar interrompa o tráfego de grandes petroleiros, o que causaria uma disparada imediata nos preços dos combustíveis no Brasil e no mundo.

Fonte: https://pt.euronews.com/2026/04/10/paquistao-prepara-se-para-acolher-conversacoes-entre-eua-e-irao-apesar-do-cessar-fogo-inst

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