
É uma cena que se repete em muitos lares amazonenses, a criança começa a respirar apenas pela boca, reclama constantemente de nariz entupido ou apresenta pequenos sangramentos nasais durante a semana. Embora muitos pais encarem esses sinais como passageiros ou comuns devido ao clima, eles podem indicar alterações estruturais importantes. O desvio de septo, aliado a condições que ressecam a mucosa, é um dos principais fatores que aumentam o risco de desconforto e hemorragias leves nos pequenos.
O septo nasal é uma estrutura composta por osso e cartilagem que divide as narinas em dois lados. De acordo com a Dra. Letícia Pina, otorrinolaringologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), qualquer alteração nessa região interfere diretamente na passagem do ar.
Na infância, o sinal mais claro de que algo está errado é a dificuldade respiratória localizada, geralmente mais acentuada em uma das narinas.
Sinais que merecem atenção
A obstrução nasal é o sintoma primário, mas o desvio de septo pode se manifestar de diferentes formas dependendo da criança. A condição pode estar presente desde o nascimento ou surgir após traumas e quedas comuns durante as brincadeiras.
Os principais sintomas observados na rotina infantil são:
- Dificuldade para respirar adequadamente por um lado específico do nariz.
- Episódios frequentes de respiração bucal, inclusive durante o sono.
- Ressecamento excessivo da mucosa nasal que gera desconforto.
- Sangramentos esporádicos causados pela exposição da área ao fluxo de ar.
- Presença de rinite alérgica descompensada que agrava o entupimento.
Cirurgia é a última opção
Diferente do que ocorre com adultos, a correção cirúrgica do septo raramente é a primeira escolha para crianças. A face dos pequenos ainda está em pleno desenvolvimento e intervenções precoces podem comprometer o crescimento ósseo da região.
A especialista pontua que a abordagem deve ser conservadora na maioria dos casos. O foco médico está em preservar a estrutura do septo ao máximo, recorrendo a procedimentos apenas em situações onde a repercussão clínica prejudica severamente a qualidade de vida ou o desenvolvimento da criança.
Como agir em casos de sangramento
O sangramento nasal, conhecido como epistaxe, costuma assustar os pais, mas na maioria das vezes é leve e fácil de controlar. Geralmente, o problema está ligado ao hábito de cutucar o nariz, ao uso constante de ar-condicionado ou a infecções respiratórias.
Para estancar o sangue de forma segura em casa, siga estas orientações:
- Mantenha a criança com a cabeça ereta, sem inclinar para frente ou para trás.
- Faça a compressão da narina afetada por um período de cinco a dez minutos.
- Aplique gelo envolto em um tecido na região para auxiliar na constrição dos vasos.
- Oriente a criança a não assoar, coçar ou manipular o nariz logo após o episódio.
- Mantenha a calma para não transmitir ansiedade ao pequeno durante o cuidado.
Quando buscar ajuda urgente
Embora a maioria dos episódios cesse com a compressão, alguns sinais indicam que a situação é mais grave e exige avaliação médica imediata. Se o sangramento não parar após dez minutos de pressão manual ou se vier acompanhado de palidez, tontura, sonolência e fraqueza, leve a criança ao pronto-socorro. Históricos de trauma na face seguidos de sangramento também precisam de investigação detalhada para descartar fraturas ou hematomas internos.
Prevenção e cuidados diários
A saúde nasal da criança depende de hábitos simples que evitam o ressecamento da mucosa. O controle da rinite alérgica e a lavagem nasal diária com soro fisiológico são as melhores ferramentas de prevenção.
Em locais com uso intenso de ventiladores ou ar-condicionado, como é comum em Manaus, o uso de hidratantes nasais específicos ajuda a manter a proteção natural do nariz. Evitar ambientes com ar muito seco e orientar os filhos a não removerem crostas ou “casquinhas” do nariz são medidas fundamentais para garantir uma respiração livre e saudável.
ASCOM: Gabriel Santos da Silva










