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Remédio vira batalha em casa e especialistas explicam por que crianças resistem tanto ao tratamento

Foto: Freepik

Só quem tem criança sabe o desafio que pode ser a administração de medicamentos quando os pequenos estão doentes. Aspectos como o sabor, a textura ou até o cheiro podem se tornar entraves, mas especialistas apontam estratégias que ajudam a tornar o processo mais tranquilo, garantindo que o tratamento seja eficaz e seguro.

Esse desafio é especialmente comum na infância, período em que o paladar é mais sensível e a compreensão sobre a necessidade do tratamento ainda é limitada.  Um estudo publicado em 2025  na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, com análise de 156 medicamentos indicados para 77 doenças, identificou o sabor amargo como um dos fatores decisivos para a recusa das crianças.

Segundo a farmacêutica Daniela Reis, da rede FarmaBem, o primeiro passo para ter sucesso na administração dos medicamentos é transformar o momento do remédio em uma situação menos tensa.

“Disfarçar o gosto e adaptar a forma de administração ajuda muito. Por exemplo, é possível misturar o medicamento com suco ou iogurte, desde que haja orientação profissional”, afirma.

Ela destaca que nem todos os medicamentos podem ser combinados com alimentos, pois algumas substâncias interagem com nutrientes e perdem eficácia. Além disso, existe o risco de a criança não consumir todo o conteúdo, comprometendo a dose correta. Por isso, buscar orientação médica ou farmacêutica antes de qualquer adaptação é fundamental.

Outro cuidado importante é a escolha da forma de administração. Sempre que possível, deve-se optar pelas versões líquidas, mais fáceis de engolir. O uso de seringa dosadora em vez da colher também contribui para a precisão da quantidade.

“O ideal é administrar o remédio pela lateral da boca, nunca diretamente sobre a língua, e manter a criança em posição semi-ereta para evitar engasgos”, orienta Daniela.

Em bebês e crianças muito pequenas, a atenção deve ser redobrada. A dose precisa ser conferida com cuidado e a administração deve ser lenta, evitando sustos ou movimentos bruscos. Após o uso, a seringa deve ser higienizada corretamente para evitar contaminações.

Paciência

Criar uma rotina previsível e envolver a criança no processo também contribui para reduzir a resistência. Permitir que ela escolha o suco ou o iogurte que será usado, quando isso for autorizado, ajuda a dar sensação de controle e diminui a rejeição. Recompensas simples, como adesivos ou elogios, funcionam como estímulo positivo.

Para Daniela, a paciência é tão importante quanto a técnica.

“Sempre manter a calma é essencial. Se a criança cuspir ou vomitar, pode ser necessário repetir a dose, mas com outra abordagem — como mudar a forma de oferecer ou transformar o momento em um jogo”, explica.

Especialistas alertam ainda que forçar a ingestão pode gerar traumas e tornar as próximas tentativas ainda mais difíceis. A construção de uma experiência mais acolhedora para as crianças faz parte do próprio tratamento, especialmente em terapias prolongadas.

Repercussão Assessoria

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