Careiro Castanho Projeto leva dança e escuta a pessoas que cuidam da infância no...

Projeto leva dança e escuta a pessoas que cuidam da infância no interior do Amazonas

Fotos: Lia Mandelsberg

A comunidade São Sebastião do Igapó-Açu, situada no município de Careiro Castanho a 260 quilômetros de Manaus, recebe a partir do dia 28 de março uma iniciativa transformadora. O projeto “Cuida, mana: o corpo e a dança de quem cuida das infâncias” promove ações voltadas para mães e gestantes, além de puérperas e todas as pessoas que se dedicam ao cuidado diário. A programação foca na valorização dos conhecimentos tradicionais sobre a primeira infância, que compreende a faixa de zero a seis anos.

O trabalho de cuidar de crianças pequenas sustenta rotinas inteiras, mas costuma permanecer invisível na sociedade. A proponente do projeto, Lia Mandelsberg, explica que a proposta busca deslocar o olhar para quem exerce essa função, ouvindo suas experiências e saberes.

“Eu senti imensas transformações no meu corpo durante a gestação. Esse foi o mote inicial o corpo e os desafios do cuidado. E também o desejo de me aproximar das formas de cuidado tradicionais da Amazônia, especialmente do Igapó-Açu, que têm a ver com a própria linhagem da minha filha”, afirma Lia Mandelsberg, pesquisadora que atua na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Igapó-Açu desde 2020.

A artista, que é bailarina e pesquisadora, desenvolve trabalhos com crianças no Amazonas desde 2014. Sua trajetória inclui projetos em contextos formais e informais de educação, com destaque para sua pesquisa de mestrado na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Com o nascimento da filha, ela passou a focar na saúde de quem cuida.

“Quando a gente olha para quem cuida, entende que a criança só vai atingir sua plenitude e sua liberdade se quem cuida estiver bem”, destaca a artista, ao reforçar que a falta de apoio é um sintoma social.

“É um sintoma social que essas práticas fiquem só com as mães. Se ninguém conhece, ninguém valoriza e ninguém apoia. Por isso, é fundamental fortalecer redes de apoio”, reflete Lia,

Saberes tradicionais

O projeto reconhece que o cuidado envolve memória e modos de vida enraizados no território. As atividades articulam dança e troca de experiências para valorizar práticas como banhos e cantigas, além de chás tradicionais que atravessam gerações. Esses conhecimentos são tratados como patrimônio imaterial da comunidade.

As ações ocorrem na Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Igapó-Açu. Ao final do cronograma, a unidade receberá materiais pedagógicos incluindo brinquedos e livros para a formação de um acervo permanente voltado para a primeira infância.

Cronograma completo

A programação será distribuída em quatro dias de atividades intensas na comunidade.

  • No dia 28 de março, sábado, das 8h às 10h, ocorre a oficina “Dança mãe, dança bebê” para mães e cuidadores com seus bebês.
  • No dia 29 de março, domingo, das 8h às 10h, será realizada a oficina “Cuida, mana” para o público feminino.
  • No dia 4 de abril, sábado, das 13h30 às 16h, acontece a roda de conversa “Círculo de Histórias para Mulheres”.
  • No mesmo dia 4 de abril, das 16h30 às 18h, será ministrada a palestra “Cultura imaterial e saberes locais”.
  • No dia 6 de abril, segunda-feira, das 15h às 17h, o encerramento terá o minicurso “Primeiros Socorros e a criança pequena”.

Registro e memória

Como desdobramento, o projeto realiza visitas domiciliares para sessões de escuta sobre o cuidado infantil. Esses encontros darão origem a uma cartilha que reunirá os saberes compartilhados, com lançamento previsto para maio na própria escola. A publicação terá autoria atribuída às participantes e uma tiragem de 100 exemplares.

“Minha filha é fruto da minha relação com a Amazônia. Também por isso, quis me aproximar dessas formas de cuidado tradicionais e trocar com essas mulheres”, declara a pesquisadora,

Equipe e fomento

O projeto foi contemplado pelo edital da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A equipe multidisciplinar completa reúne os seguintes profissionais.

  • Coordenação geral de Lia Mandelsberg com assistência de Angleice Dias de Souza.
  • Mobilização local de Ângela Vitória Andrade Araújo e apoio da bolsista Kely Cristina Gomes da Fonseca.
  • Design visual de Yan Bentes e fotografia de Aline Fidelix com apoio de Andrei Batista de Souza.
  • Suporte técnico de Lidiomara Gomes de Araújo e oficina de Isabel Ramos Monteiro.
  • Palestra de Francimara Gomes de Araújo e produção executiva de Viviane Palandi.
  • Audiodescrição poética de Maria Fernanda Carmim e consultoria de Ananda Guimarães.

ASCOM: Vívian Oliveira

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