
A Escola Estadual (EE) Edson de Melo, no município de Uarini, deu um exemplo de como a educação pode ser transformada quando sai da teoria seca e mergulha na realidade do aluno.
A iniciativa “Feirinha de Farinha no Ensino de Adição e Subtração” utilizou o maior símbolo econômico e cultural da região para ensinar matemática básica aos estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental.
Localizada a 565 quilômetros de Manaus, a unidade de ensino provou que o aprendizado lúdico é a chave para vencer o desinteresse em sala de aula.
O projeto surge em um momento crucial, onde a educação brasileira discute como tornar o ensino mais atrativo. Ao notar a dificuldade dos alunos em conectar os números do quadro negro com a vida real, o professor Joilson Souza acertou ao trazer o mercado da farinha para dentro da escola. É uma estratégia que humaniza o ensino e respeita a vivência de quem nasce e cresce no interior.
Matemática na prática
A atividade foi dividida em etapas que misturaram o conteúdo teórico com a mão na massa. Antes de irem para a quadra simular as vendas, os estudantes passaram por uma preparação detalhada que envolveu desde conceitos matemáticos até a criação de materiais.
- Aula teórica: o professor Jonilson explicou as operações de adição e subtração, eliminando dúvidas iniciais.
- Confecção de materiais: os próprios alunos fabricaram cédulas fictícias e realizaram o empacotamento da farinha de Uarini.
- Simulação de mercado: divididos em grupos, os estudantes atuaram como compradores e vendedores, calculando somas e trocos em tempo real.
- Dinâmica competitiva: uma competição elegeu a melhor dupla de vendedores e o grupo que mais adquiriu produtos, estimulando o engajamento.
“Os alunos demonstraram grande envolvimento, interesse e entusiasmo, além de desenvolverem habilidades como raciocínio lógico, autonomia, trabalho em equipe e noção de educação financeira”, explicou a diretora escolar Gezilda da Silva.
Valorização da cultura
A escolha do produto não foi por acaso. A farinha de Uarini é famosa mundialmente e é o sustento de inúmeras famílias na região. Ao utilizar esse elemento, a escola valida a cultura do aluno e transforma o ambiente de estudo em algo familiar. O professor Jonilson reforçou que o objetivo foi explorar a criatividade e o diálogo, atrelando a educação financeira à experiência local.
“E por que foi escolhida a farinha? Porque ela está presente na cultura da região e foi necessário utilizar o lugar da cultura para que eles pudessem compreender o conteúdo dentro de suas experiências e usá-lo. Então, foi uma atividade legal e prazerosa, que os alunos gostaram muito”, completou Jonilson.
Voz dos alunos
O impacto positivo dessa metodologia é visível no depoimento de quem está na ponta do processo. Para os estudantes, o dia da feirinha deixou de ser uma aula comum para se tornar uma memória de aprendizado divertido. A aluna Elcinara Soares destacou como a dinâmica facilitou a resolução de problemas que antes pareciam complexos.
“Na Feirinha de Farinha eu aprendi a subtrair, a somar, a dar troco e vender. Eu gostaria que os professores fizessem mais atividades dessa maneira, porque foi muito maravilhoso esse dia”, compartilhou Elcinara Soares.
Iniciativas como essa em Uarini mostram que o Amazonas tem potencial para liderar modelos de educação regionalizada. O desafio agora é fazer com que projetos assim deixem de ser ações isoladas e se tornem regra nas escolas do interior, garantindo que o conhecimento faça sentido para a vida do cidadão amazonense.










