Mundo Primeira mulher no comando do Japão aposta alto e convoca eleições antecipadas

Primeira mulher no comando do Japão aposta alto e convoca eleições antecipadas

Primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, dissolveu o Parlamento nesta sexta-feira (23) e convocou eleições antecipadas - Foto: STR / JIJI PRESS / AFP

O cenário político japonês sofreu uma guinada decisiva nesta sexta-feira, 23/1. A primeira-ministra Sanae Takaichi oficializou a dissolução da Câmara Baixa, desencadeando a convocação de eleições parlamentares para o dia 8 de fevereiro. A estratégia busca aproveitar o capital político da primeira mulher a chefiar o governo do país para consolidar uma maioria que hoje é considerada frágil e dependente de alianças estreitas.

Takaichi assumiu o cargo em outubro de 2025, após a renúncia de Shigeru Ishiba, e desde então tenta equilibrar a agenda de defesa nacional com medidas de alívio econômico. Ao dissolver o Parlamento, ela espera que o suporte ao seu gabinete se converta em votos para a coalizão formada pelo Partido Liberal Democrático (PLD) e pelo Partido da Inovação do Japão (PIJ).

O desafio é complexo porque, embora a imagem da primeira-ministra seja positiva perante a opinião pública, o PLD ainda carrega o desgaste de escândalos recentes. O movimento é visto por analistas como uma aposta de alto risco. Se for bem-sucedida, Takaichi terá força para implementar o orçamento recorde de 122 trilhões de ienes planejado para o ano fiscal de 2026. Caso contrário, o país pode mergulhar em um novo período de paralisia legislativa.

Inflação e custo de vida como eixos centrais

O bolso do cidadão japonês será o verdadeiro fiel da balança em fevereiro. Dados divulgados hoje mostram que a inflação desacelerou para 2,4% em dezembro, um recuo importante em relação aos 3% registrados em novembro. No entanto, o índice permanece acima da meta de 2% do banco central, e a sensação de carestia ainda é latente na sociedade.

Para entender os fatores que pressionam a economia do arquipélago, é preciso observar os seguintes pontos:

  • Subsídios governamentais: a queda recente na inflação deve-se em grande parte aos auxílios estatais para contas de eletricidade e gás, que mascaram a pressão de preços subjacente.
  • Crise do arroz: o grão, base da dieta nacional, viu seu preço subir mais de 34% em um ano, tornando-se o principal símbolo do aumento do custo de vida.
  • Desvalorização do iene: a moeda japonesa continua em patamares baixos, o que encarece produtos importados e combustíveis, alimentando o descontentamento.
  • Gastos com defesa: o plano de aumentar o investimento militar divide opiniões, especialmente quando famílias lutam para equilibrar o orçamento doméstico.

Críticas da oposição e os riscos da dissolução

Partidos de oposição criticaram duramente o momento da convocação das eleições. O argumento central é que a interrupção das atividades parlamentares agora pode atrasar a aprovação do orçamento recorde necessário para sustentar a economia a partir de abril. Para os rivais de Takaichi, a dissolução foi uma manobra oportunista para evitar debates mais profundos sobre a eficácia das medidas contra a inflação.

O Japão, que historicamente lutou contra a deflação por décadas, agora enfrenta um fenômeno oposto e persistente. O resultado das urnas em fevereiro dirá se a população acredita que Sanae Takaichi é a liderança capaz de navegar nessa nova realidade econômica ou se o país buscará um rumo diferente para proteger o poder de compra de suas famílias.

Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/mundo/primeira-ministra-dissolve-parlamento-e-convoca-eleicoes-antecipadas-no-japao.html

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