
Na COP30 ocorrida em Belém, no final de 2025, o governo brasileiro e parceiros internacionais anunciaram centenas de milhões de reais em iniciativas voltadas a povos indígenas da Amazônia.
O principal destaque foi o mecanismo VÍtuke, com promessa de R$ 550 milhões. Apesar do discurso de “acesso direto”, os recursos não vão direto às aldeias: passam antes por estruturas administrativas, fundos e organizações gestoras.
Uma burocracia absurda até as migalhas alcançarem os indígenas.
Indígena no discurso, enrolação na prática

Em Belém, o VÍtuke foi apresentado como um avanço por prever governança indígena. Ainda assim, o dinheiro será operado por instituições financeiras, organismos multilaterais e fundações parceiras, além do próprio Ministério dos Povos Indígenas.
Na prática, organizações indígenas precisarão apresentar projetos, cumprir exigências técnicas e prestar contas, como em qualquer fundo tradicional.
Mais de R$ 120 milhões, com BNDES no meio

Durante a COP30, cerca de R$ 123,6 milhões foram anunciados para projetos em territórios indígenas via Fundo Amazônia.
Essa intermediação será assim em 2026: BNDES administra o fundo, recursos passam por editais e chamadas públicas e só depois chegam a associações ou organizações indígenas habilitadas.
Ou seja: não há repasse direto às comunidades, mas sim via projetos aprovados.
Promessa bilionária, execução distante

O chamado Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) fala em captar até US$ 25 bilhões, com promessa de destinar 20% a povos indígenas e comunidades tradicionais.
Porém, o fundo ainda não está plenamente operacional. Quando estiver, os recursos deverão passar por bancos multilaterais, estruturas internacionais e governos nacionais antes de qualquer repasse final.
O gargalo de sempre
De acordo com o andar da carruagem, apesar dos avanços no discurso na COP30, em 2026 os indígenas seguirão denunciando o mesmo gargalo histórico: o dinheiro existe, os anúncios são feitos, mas ele circula por governos, bancos, agências e ONGs antes de chegar à ponta.
O resultado é atraso, burocracia e, muitas vezes, dinheiro que não chega a quem protege a floresta no dia a dia.
Tudo como dantes …
Trocando em miúdos, a charmosa COP30 não ignorou a pauta indígena. Mas também não rompeu totalmente com o modelo tradicional, onde os povos originários continuam sendo beneficiários finais — e não gestores diretos — da maior parte dos recursos climáticos.
E as lideranças indígenas, como reagirão contra tamanhas barreiras burocráticas ? Em tempos de eleições, irão para as ruas gritar e cobrar, ou empunharão bandeirinhas de apoio à reeleição de seus “lídimos” representantes em Brasília ?











