
Para muitos brasileiros, o mês de janeiro simboliza o fim das festas e o retorno à rotina. No entanto, para cerca de 250 milhões de pessoas ao redor do globo, este dia 7 de janeiro, marca o momento mais sagrado do ano. É o natal ortodoxo, uma celebração que une história, astronomia e uma profunda resistência cultural frente ao calendário ocidental.
A diferença entre as datas não ocorre por uma discordância sobre o nascimento de Jesus, mas sim por uma questão técnica de contagem do tempo. Enquanto o ocidente utiliza o calendário gregoriano, implementado pelo Papa Gregório XIII em 1582, diversas comunidades orientais mantêm a fidelidade ao calendário juliano.
Este sistema antigo foi introduzido por Júlio César em 46 a.C. e possui uma pequena imprecisão de 11 minutos por ano solar. Ao longo de séculos, esse erro acumulou dias de atraso. Atualmente, a distância entre os dois calendários é de 13 dias. Por isso, quando o calendário juliano marca 25 de dezembro, o nosso calendário comum já aponta o dia 7 de janeiro.
Fatos sobre a cronologia das celebrações:
- O calendário juliano perde um dia a cada 128 anos;
- O sistema gregoriano é mais preciso e perde um dia apenas a cada 3.236 anos;
- No ano de 2101 a celebração passará para o dia 8 de janeiro caso a tradição seja mantida;
- O natal ortodoxo também é conhecido popularmente como o antigo dia de natal.
Os países que preservam o costume milenar
Mesmo representando cerca de 10% do total de cristãos no mundo, os praticantes do rito antigo possuem uma presença vibrante na Europa Oriental, no Oriente Médio e na África. A preservação dessa data é vista como uma forma de manter a identidade religiosa intacta contra as mudanças impostas por decretos papais do passado.
Comunidades que celebram a data hoje:
- Igreja Ortodoxa Russa, que representa o maior contingente de fiéis no mundo;
- Igrejas da Sérvia e da Geórgia;
- Igreja Ortodoxa Copta (IOC), com sede principal no Egito;
- Igrejas de tradição ortodoxa na Etiópia e na Eritreia.
O cenário político e a mudança na Ucrânia
A religião e a política caminham juntas em muitos desses territórios. Recentemente, a Ucrânia tomou uma decisão histórica para se afastar da influência russa. Em 2023, o governo ucraniano alterou oficialmente o feriado nacional para 25 de dezembro. Essa movimentação teve o objetivo de alinhar o país com as tradições da Europa Ocidental.
Apesar da mudança institucional, muitos ucranianos ainda celebram em 7 de janeiro, como um ato de fé familiar e herança de seus antepassados. Em outros locais, como na Bielorrússia e na Moldávia, o governo reconhece a pluralidade e mantém feriados nacionais em ambas as datas para contemplar todas as denominações cristãs.
Celebrar o natal em 7 de janeiro é um lembrete de que o tempo é uma construção cultural e que a fé pode ser vivida em ritmos diferentes. Respeitar essa diversidade é reconhecer a riqueza de uma história que sobrevive aos séculos e às fronteiras geopolíticas.











