
O Polo Industrial de Manaus (PIM) abriu o ano de 2026 com números que reforçam sua posição estratégica na economia brasileira. Com um faturamento expressivo de R$ 18,28 bilhões apenas em janeiro, o modelo Zona Franca demonstra resiliência em um cenário global ainda marcado por incertezas logísticas.
Quando convertido para a moeda americana, o montante atinge US$ 3,41 bilhões, o que representa um crescimento nominal de 6,86% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Esses indicadores, consolidados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), revelam muito mais do que apenas cifras elevadas. Eles apontam para uma retomada de fôlego em setores que são a espinha dorsal da indústria amazonense.
No entanto, por trás do otimismo dos dados, o mercado observa atentamente como o PIM lidará com as novas pressões tributárias e a necessidade constante de modernização tecnológica para manter esse ritmo de expansão.
Exportações em alta
Um dos dados mais impactantes deste início de ano é o salto nas vendas para o mercado externo. O PIM registrou um faturamento de R$ 387,98 milhões com exportações em janeiro, um crescimento robusto de 40,52% em relação a 2025. Se olharmos para o desempenho em dólar, o avanço é ainda mais impressionante, chegando a 52,85%.
Esse desempenho sugere que os produtos fabricados em Manaus estão ganhando terreno fora das fronteiras brasileiras. Entre os fatores que explicam esse fenômeno estão:
- A consolidação de novos mercados na América Latina para o setor de duas rodas.
- O aumento da demanda por componentes eletrônicos produzidos com incentivos locais.
- A melhoria na infraestrutura de escoamento que facilita a saída de mercadorias pela via fluvial.
- A valorização cambial que torna o preço final mais competitivo no exterior.
Liderança de mercado
O levantamento da Suframa coloca o segmento de duas rodas no topo da pirâmide produtiva. Responsável por quase 22% de todo o faturamento do polo, o setor de motocicletas e ciclomotores movimentou R$ 3,3 bilhões apenas no primeiro mês do ano. Logo atrás, aparecem os subsetores eletroeletrônico e de bens de informática, que juntos somam mais de 31% de participação global.
Curiosamente, setores menores apresentaram os crescimentos percentuais mais agressivos. O segmento de vestuário e calçados, por exemplo, teve uma expansão de 88,55%, enquanto o de bebidas avançou mais de 47%. Essa diversificação é vital para que a economia de Manaus não dependa exclusivamente de um único nicho, garantindo maior estabilidade em momentos de crise setorial específica.
Emprego e estabilidade
No que diz respeito ao mercado de trabalho, o Polo Industrial de Manaus iniciou 2026 mantendo uma base sólida de 129.522 postos de trabalho.
O saldo de janeiro foi positivo, com 592 novos empregos gerados, resultado de um movimento de 3.710 contratações contra 3.118 demissões. Embora o número pareça modesto diante do tamanho do faturamento, ele indica que as empresas estão operando com foco em eficiência produtiva.
Manter quase 130 mil famílias dependentes diretamente da indústria é uma responsabilidade social gigantesca. Especialistas apontam que a manutenção desses postos depende diretamente da segurança jurídica do modelo Zona Franca.
“Os resultados de janeiro demonstram que o Polo Industrial de Manaus inicia 2026 com bases sólidas, combinando crescimento industrial, estabilidade no emprego e avanço das exportações”, analisou Leopoldo Montenegro, superintendente da Suframa.
Produtos campeões
A lista dos itens que mais geraram riqueza em janeiro reflete os hábitos de consumo e as necessidades de infraestrutura do Brasil atual.
Além das motocicletas, os televisores com tecnologia OLED e LCD continuam sendo protagonistas, seguidos de perto pelos condicionadores de ar do tipo split system, essenciais diante das ondas de calor que atingem o país.
Outros produtos que se destacaram no volume financeiro foram:
- Placas de circuito montadas para uso exclusivo em informática.
- Telefones celulares de última geração com tecnologia 5G integrada.
- Unidades condensadoras para sistemas de refrigeração industrial.
- Componentes químicos voltados para a indústria de transformação.
Futuro do modelo
Apesar dos números positivos, o desafio para o restante de 2026 será manter a competitividade diante da reforma tributária e das discussões sobre sustentabilidade.
O Polo Industrial de Manaus precisa provar que sua existência não é apenas uma questão de incentivos fiscais, mas de eficiência logística e compromisso ambiental.
O crescimento das exportações é o melhor cartão de visitas que o PIM pode apresentar para justificar sua relevância nacional. Se o ritmo de janeiro for mantido, 2026 tem tudo para ser um ano de recordes históricos, consolidando de vez a região como o principal hub tecnológico da América do Sul.
O equilíbrio entre faturamento alto e geração de empregos de qualidade continua sendo a meta principal para garantir o desenvolvimento do Amazonas.











[…] 🔗 Ler matéria original […]