
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, utilizou suas redes sociais neste sábado, 10/1, para lançar uma proposta que pretende redesenhar o mapa político e econômico da região. O plano consiste na criação de uma confederação de nações inspirada no modelo da “União Europeia”, que o político batizou como “Grande Colômbia”. Segundo o mandatário colombiano, essa nova estrutura teria o seu próprio Parlamento, um Tribunal de Justiça e um conselho de governo para coordenar as decisões estratégicas entre os países membros.
A ideia apresentada por Petro busca resgatar o ideal histórico de Simón Bolívar, que uniu diversos territórios no século XIX. O mapa divulgado pelo presidente inclui não apenas a atual Colômbia, mas também o Equador, o Panamá e a Venezuela, além de partes da Guiana e da América Central. A intenção é que esses países atuem como um bloco unificado para fortalecer a economia regional e ganhar relevância frente às potências globais.
O retorno ao ideal de Bolívar e a abrangência territorial da proposta
A “Grande Colômbia” original existiu entre 1819 e 1831 e é a principal inspiração para o atual projeto de Petro. Na visão do presidente, a confederação deve seguir uma política comercial voltada para a industrialização nacional e regional. Ele defende que o bloco se torne um centro mundial em áreas como infraestrutura moderna, conhecimento compartilhado e, principalmente, energia limpa.
Os pilares apresentados para a viabilização da confederação incluem os seguintes pontos:
- Estabelecimento de políticas comuns baseadas nas demandas diretas da população local.
- Foco na industrialização para diminuir a dependência de produtos importados.
- Transformação da região em uma potência de energias renováveis para o mundo.
- Integração das redes de transporte e comunicação entre as capitais vizinhas.
As críticas ao viés ideológico e o peso do cenário venezuelano
Apesar do tom de integração, a proposta foi recebida com forte ceticismo por diversos setores políticos. Críticos apontam que o modelo bolivariano defendido por Petro é o mesmo que inspirou o regime de Hugo Chávez e que seguiu com Nicolás Maduro na Venezuela. Esse sistema é frequentemente associado ao colapso econômico do país vizinho, onde indicadores atuais estimam que 50% da população vive em situação de miséria extrema.
O partido de Petro (Colômbia Humana) integra o “Foro de São Paulo”, organização que reúne diversas legendas de esquerda da América Latina, como o PSUV e o PT. Essa ligação alimenta o debate sobre se a “Grande Colômbia” seria um projeto de desenvolvimento econômico ou apenas um movimento para consolidar uma coalizão ideológica socialista na região, isolando os países de influências externas mais liberais.
A trégua diplomática com Donald Trump e a visita à Casa Branca
O anúncio de Petro ocorre em um momento de extrema instabilidade diplomática. Recentemente, o presidente norte-americano Donald Trump disparou ataques verbais contra o líder colombiano, chamando-o de homem doente e acusando seu governo de ser conivente com a produção de cocaína exportada para os Estados Unidos. O clima de tensão foi agravado pela captura de Nicolás Maduro em uma operação realizada em Caracas no último fim de semana, o que alterou drasticamente o equilíbrio de poder na América do Sul.
Entretanto, uma trégua inesperada surgiu na última quarta-feira, 7/1, quando os dois presidentes conversaram por telefone. Durante o diálogo, o tom agressivo foi deixado de lado e Donald Trump confirmou que aguarda a visita de Gustavo Petro à Casa Branca na primeira semana de fevereiro. O encontro será fundamental para definir se o projeto da “Grande Colômbia” será visto por Washington como uma iniciativa legítima de integração ou como uma ameaça aos interesses de segurança e mercado dos Estados Unidos na região.
Fonte: https://revistaoeste.com/mundo/socialista-gustavo-petro-confederacao-latino-americano/











