Careiro Castanho Pedagogia da Floresta avança no Amazonas e revela um modelo que pode...

Pedagogia da Floresta avança no Amazonas e revela um modelo que pode mudar o futuro da educação

Foto: Divulação

Uma revolução educacional silenciosa está florescendo no coração do Amazonas ao reconhecer a floresta como a maior sala de aula possível. Entre os dias 16 e 18 de abril, os educadores e demais profissionais da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Igapó-Açu participarão de um encontro formativo dedicado ao “Pedagogia da Floresta”. A ação ocorre na própria sede da unidade, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó-Açu, no quilômetro 260 da rodovia federal BR-319, no município Careiro Castanho.

A formação reúne toda a equipe escolar, incluindo professores, gestores, auxiliares, merendeiras e condutores. Essa escolha estratégica parte do princípio de que a educação é construída de forma coletiva e que cada pessoa que compõe o cotidiano escolar desempenha um papel fundamental no processo pedagógico dos alunos ribeirinhos.

Formação coletiva

A iniciativa faz parte do “Pedagogia da Floresta”, um programa desenvolvido pela Casa do Rio que utiliza processos de escuta comunitária e planejamento participativo. Além da capacitação dos profissionais, o projeto contempla a construção de uma nova sala de aula na unidade.

Esse espaço foi projetado para dialogar diretamente com o território, reforçando a ideia de que a floresta é um ambiente vivo de aprendizagem onde as crianças são as protagonistas de sua própria trajetória formativa.

História consolidada

Este é o segundo grande momento de imersão promovido pela iniciativa. O ciclo de formação teve o seu início oficial com o “1º Encontro de Formação Pedagogia da Floresta” realizado em julho de 2023, no município de Careiro Castanho.

Naquela etapa, o evento reuniu mais de 300 professores da rede municipal e resultou na criação da “Rede da 1ª Infância de Careiro”, um marco essencial para garantir que o desenvolvimento de crianças entre zero e seis anos de idade fosse tratado como prioridade absoluta.

Enquanto o primeiro encontro lançou as bases para uma política pública entre diferentes setores, esta edição na RDS Igapó-Açu foca na prática direta dentro da escola e na vivência com a comunidade.

“Esse momento tem um sentido muito simbólico: é a realização de um desejo antigo de criar condições para que toda a escola pudesse estudar junta e aprofundar práticas que já fazem parte do seu cotidiano”, afirmou Lia Mandelsberg, que coordena a iniciativa.

Saber local

A escolha por realizar o encontro dentro da própria comunidade reforça a importância dos processos educativos construídos no território ao longo dos anos. A gestora da instituição, Angleice Dias, destaca que muitos dos profissionais que hoje trabalham na escola cresceram participando dessas mesmas iniciativas formativas.

“Assim como eu, o professor Angel Souza e muitos alunos, educadores e funcionários que hoje atuam aqui cresceram dentro desses processos formativos. Hoje seguimos dando continuidade a esse caminho dentro da escola”, afirmou Angleice Dias.

A programação dos três dias de evento abordará temas fundamentais para a realidade amazônica

  • Identidade territorial e o direito ao brincar das crianças da floresta.
  • Neurodesenvolvimento e os novos processos de aprendizagem.
  • Soberania e cultura alimentar voltada para a produção local.
  • Gestão participativa e convivência entre escola e comunidade.
  • Cuidado e o fortalecimento dos vínculos com o território ribeirinho.

Para Camila Castro, técnica do “Pedagogia da Floresta”, a formação dentro da comunidade valoriza o conhecimento tradicional e fortalece práticas que estão conectadas com a realidade do povo da BR-319.

Tecnologia social

O objetivo final da Casa do Rio é fortalecer o diálogo entre a escola, a comunidade, a floresta e o ambiente universitário. Ao unir esses diferentes saberes, a iniciativa busca consolidar o “Pedagogia da Floresta” como uma tecnologia social capaz de ser replicada em outros territórios da Amazônia, garantindo uma educação que respeite e valorize a cultura e a identidade de quem vive na beira dos rios e das estradas federais.

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