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O que está por trás da alta do combustível no Amazonas e por que o preço não cai?

Vereador solicita esclarecimentos sobre operação da refinaria e importação de combustíveis - Foto: Divulgação/Assessoria

Sabe aquele sentimento de chegar ao posto e levar um susto com o valor no visor da bomba? Pois é, essa é a realidade sufocante que a população do Amazonas enfrenta diariamente, enquanto as promessas de combustíveis mais baratos continuam guardadas na gaveta. Na última quarta-feira, 18 de março, o vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) decidiu agir e protocolou um ofício direto para a Refinaria da Amazônia (REAM). O objetivo é cobrar o fim da dependência externa e exigir que a unidade volte a processar o petróleo de Urucu, em vez de ficar importando insumos de outros países, o que acaba encarecendo o produto final para quem mora em Manaus e no interior.

Ofício enviado

O parlamentar argumenta que o uso do petróleo regional é o caminho mais lógico para reduzir os custos. Hoje, a logística de importação pesa demais e o consumidor é quem paga a conta. Ao cobrar que a refinaria foque na produção local, Guedes tenta quebrar esse ciclo de preços altos que ignora a riqueza que temos bem aqui no nosso quintal.

Promessa vazia

O cenário atual mostra um descumprimento de prazos que atinge diretamente o bolso das famílias amazonenses. Em maio do ano passado, Antônio Sampaio, que é diretor de assuntos institucionais do Grupo Atem, afirmou que o refino local seria retomado até junho de 2025. Mas a verdade é que a promessa não saiu do papel. A refinaria, que foi privatizada em 2022, continua funcionando praticamente como uma importadora de gasolina e diesel, deixando de lado a capacidade de produção da nossa região.

Preços abusivos

A diferença de valores entre o Amazonas e o restante do Brasil é um sinal claro de que algo está errado. Enquanto a Petrobras mantém preços mais estáveis, a refinaria local aplicou aumentos pesados em um intervalo de apenas 10 dias. O impacto é assustador: quase R$ 1,00 a mais na gasolina e R$ 2,00 no diesel.

“Vou continuar cobrando e denunciando até que o valor da gasolina reduza pois isso é extorsão”, afirmou Rodrigo Guedes.

Isenções fiscais

Um dos pontos que mais gera indignação é que a rede Atem recebeu benefícios fiscais bilionários por meio de senadores da bancada do Amazonas. Mesmo com essas isenções generosas, a economia não chega para quem está na ponta. Ao escolher a importação em vez do refino local, a empresa gera custos logísticos enormes que são repassados integralmente para o trabalhador que precisa do carro para ganhar o pão de cada dia.

Denúncia federal

O caso agora vai sair da esfera municipal e ganhar desdobramentos em Brasília. Rodrigo Guedes confirmou que levará um dossiê para a Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON) e para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) para investigar possíveis práticas de cartel ou abuso de poder econômico. Além disso, os seguintes órgãos serão acionados formalmente:

  • Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
  • Ministério de Minas e Energia.
  • Câmara dos Deputados, onde se busca uma audiência pública para expor a situação.

Versão oficial

Em nota, a Refinaria da Amazônia (REAM) esclareceu que não atua sozinha na formação dos preços. Segundo a empresa, a escalada de conflitos no Oriente Médio e a menor oferta global de petróleo são os grandes culpados. A REAM informou que vende para os distribuidores cerca de 30% do volume comercializado nos postos do Amazonas e apenas 5% da Região Norte. O restante é suprido pela Petrobras e outros importadores.

A refinaria explicou ainda que sua planta industrial, construída na década de 1950, tem limitações técnicas. Ela não produz gasolina e diesel rodoviário (S-10 e S-500) apenas pelo refino direto, precisando importar insumos para atingir o que manda a lei.

Como tudo é negociado em dólar, os custos dispararam. Entre 28 de fevereiro e 18 de março de 2026, os preços internacionais subiram muito.

  • A gasolina subiu 36% no mercado internacional.
  • O diesel teve uma alta de 65%.
  • O barril de petróleo saltou de US$ 73 para US$ 110.

A empresa reforça que precisa aplicar o preço de paridade de importação para conseguir repor seus estoques e garantir que não falte combustível no estado, seguindo a lógica das empresas privadas do setor em todo o mundo.

Veja o que diz a nota oficial na íntegra: COMUNICADO

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