O papel do cidadão na linha de frente para salvar vidas com o suporte do Samu Manaus

Foto: Divulgação / Semsa

A agilidade em um momento de crise pode ser a fronteira entre a vida e a morte. Em Manaus, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou mais de 63 mil atendimentos emergenciais no último ano, um dado que reforça a importância de a população saber como agir antes mesmo da chegada da ambulância. Muitas vezes, o desespero toma conta de quem presencia um acidente ou um mal súbito, mas a orientação técnica mostra que manter a calma e seguir protocolos básicos é o primeiro passo para um socorro eficaz.

O serviço, gerenciado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), funciona como uma engrenagem que depende da precisão das informações passadas pelo telefone 192. O médico emergencista Eduardo Fernandes destaca que a segurança de quem presta o socorro deve vir primeiro, como sinalizar a via em casos de sinistros de trânsito. Somente após garantir que não há novos riscos, o cidadão deve abordar a vítima para colher dados vitais que ajudarão o médico regulador a definir qual unidade enviar.

Como identificar uma urgência real e quando ligar para o 192

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas equipes de emergência é a gestão dos recursos. Com uma frota de 64 veículos, entre unidades de suporte básico, avançado, motolâncias e ambulanchas, o Samu precisa ser acionado para casos onde o risco à vida é iminente. O uso consciente do serviço evita que uma ambulância fique presa em uma ocorrência simples enquanto alguém em estado grave aguarda socorro.

Para ajudar a população a discernir a gravidade da situação, as autoridades recomendam observar os seguintes pontos

  • Verifique se a vítima está consciente e se consegue respirar sem dificuldades graves.
  • Identifique a presença de traumas, fraturas expostas ou sangramentos abundantes.
  • Avalie se o caso pode esperar algumas horas por atendimento em uma Unidade Básica de Saúde ou se exige intervenção imediata.
  • Em situações de parada cardiorrespiratória ou engasgos, a ação de quem está por perto deve ser instantânea, pois cada segundo perdido reduz as chances de sobrevivência.

O que nunca fazer durante um primeiro atendimento

O conhecimento popular muitas vezes sugere práticas que podem agravar o estado do paciente. O Samu Manaus alerta que o “instinto de ajudar” sem orientação técnica pode causar danos irreversíveis. Um erro comum é tentar movimentar vítimas de quedas ou acidentes de trânsito, o que pode resultar em lesões na medula e paralisia permanente.

Para garantir que o socorro seja benéfico, é fundamental evitar as seguintes condutas:

  • Não ofereça água ou alimentos para a pessoa acidentada.
  • Jamais tente “puxar a língua” de alguém que está sofrendo uma crise convulsiva ou desmaio.
  • Evite aplicar produtos caseiros como manteiga ou pasta de dente em queimaduras.
  • Não tente remover objetos encravados no corpo da vítima ou sugar o sangue em casos de picadas de animais peçonhentos.
  • Durante o atendimento da equipe médica, evite filmar, fotografar ou causar agitação no local.

O impacto dos números e a luta contra os trotes em Manaus

Os dados de 2025 mostram que as colisões entre carros e motocicletas lideram o ranking de ocorrências na capital, seguidas por casos de falta de ar e crises convulsivas. Um ponto positivo no balanço anual foi a redução no número de trotes. Em 2024, as ligações falsas representavam 4,2% do total de chamados, caindo para 3,3% no último período. Embora a queda seja celebrada, mais de 6 mil trotes ainda foram registrados, o que representa um desperdício perigoso de tempo e recursos públicos.

Ter noções básicas de primeiros socorros, como saber operar um Desfibrilador Externo Automático (DEA), que é obrigatório em locais de grande aglomeração, é um ato de cidadania. Como pontua o médico Eduardo Fernandes, estar preparado é uma forma de cuidado com a família e com a comunidade, pois uma emergência não avisa quando vai acontecer. O Samu segue disponível 24 horas pelo número 192, pronto para orientar e salvar, mas o primeiro elo dessa corrente de sobrevivência é sempre quem está no local.

ASCOM: Jony Clay Borges / Semsa

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