
Em um mundo onde o barril de petróleo sobe e desce mais rápido que montanha russa, a Petrobras parece ter encontrado a fórmula da paz interior. A presidente da companhia, Magda Chambriard, aproveitou sua passagem por Nova York nesta segunda-feira, 9 de março, para negar qualquer pressão do governo.
Segundo a executiva, segurar os preços em pleno ano de votação é apenas uma questão de cautela técnica e nada tem a ver com as pesquisas de intenção de voto que costumam tirar o sono de Brasília.
Equilíbrio sensível
A guerra dos Estados Unidos da América (EUA) e Israel contra o Irã fez o mercado internacional tremer e os preços dispararem. O barril chegou a superar a marca de US$ 100, mas a estatal brasileira prefere observar o horizonte antes de repassar qualquer custo ao cidadão.
“Precisamos ter certeza de que não se trata de uma tendência passageira e de que o cenário é razoavelmente estável para nos permitir seguir na direção correta”, afirmou Magda Chambriard em entrevista à Bloomberg.
Para a executiva, a prioridade absoluta é evitar oscilações bruscas que possam desestabilizar a economia nacional.
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Contradição nos números
Enquanto a diretoria fala em resiliência e paciência, os dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (ABICOM) contam uma história de urgência matemática. A defasagem entre o preço praticado nas refinarias brasileiras e o valor internacional já atinge 85% para o diesel e 45% para a gasolina.
É uma lacuna que desafia a lógica do mercado financeiro, mas que parece muito conveniente para manter o humor do eleitorado estável. A queda do barril para US$ 89,06, após Donald Trump declarar que a guerra está praticamente concluída, trouxe o alívio necessário para sustentar o discurso oficial de que esperar era o melhor caminho.
Futuro incerto
Magda Chambriard pontuou que a companhia está preparada para qualquer cenário, seja com o petróleo a US$ 120 ou despencando para US$ 53 no próximo ano. Essa volatilidade extrema funciona como o escudo perfeito para adiar decisões impopulares nas bombas de combustível.
“O importante é que a Petrobras esteja plenamente preparada para ser resiliente o suficiente para enfrentar qualquer um destes cenários”, destacou a presidente.
Resta saber até quando o tal momento certo de reagir vai esperar, especialmente se a calmaria prometida por Washington não se concretizar nos postos de Manaus e do restante do país.
Fique por dentro
O controle de preços por empresas estatais é um tema sensível que gera debates intensos sobre a autonomia da Petrobras e o uso da companhia como ferramenta de controle inflacionário.
Embora a estratégia atual busque proteger o bolso do consumidor no curto prazo, analistas alertam para o risco de prejuízos operacionais caso a diferença de preços internacionais permaneça alta por muito tempo.
A transparência sobre esses custos é vital para que o contribuinte entenda se está pagando menos agora para cobrir um rombo maior no futuro através de impostos ou queda nos investimentos da própria estatal.
Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/petrobras-nega-pressao-politica-analisa-preco-combustiveis/









