
O presidente francês Emmanuel Macron afirmou nesta quinta-feira (8/1) que a França vai se opor oficialmente ao tratado comercial com o Mercosul. A declaração foi feita por meio de uma publicação na rede social X e antecipa o posicionamento de Paris para uma votação decisiva que ocorre em Bruxelas nesta sexta-feira, 9 de janeiro. Apesar da resistência francesa, a expectativa é que uma maioria qualificada dos Estados-membros da União Europeia (UE) apoie o texto.
A estratégia de Paris para tentar barrar o “Acordo UE-Mercosul” parece enfrentar dificuldades. Durante meses, o governo francês buscou formar uma minoria de bloqueio capaz de impedir o avanço do tratado, mas os sinais indicam que a Itália deve votar a favor da proposta. Caso o apoio italiano se confirme, Macron sofrerá uma grave derrota diplomática, evidenciando o enfraquecimento de sua influência sobre as decisões do bloco europeu.
“A França decidiu votar contra a assinatura do acordo entre a União Europeia e os países do Mercosul”, publicou o presidente.
Ele argumentou que o “Acordo UE-Mercosul” pertence a uma outra era e foi negociado por tempo demais sobre bases que ele considera ultrapassadas. Para o líder francês, os benefícios econômicos seriam muito limitados para o crescimento europeu e não justificariam os riscos aos setores agrícolas, que são fundamentais para a soberania alimentar da região.
O fracasso de Paris em formar uma minoria de bloqueio
Concluído em dezembro de 2024 pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o pacto busca criar uma área de livre comércio com o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A iniciativa pretende alcançar um mercado de aproximadamente 700 milhões de pessoas após mais de 25 anos de negociações. Enquanto a França alega preocupações com a concorrência desleal e sofre pressão interna de seus agricultores, nações como Alemanha e Espanha defendem a assinatura imediata para abrir novos mercados de exportação.
A decisão final foi adiada no mês passado após reservas manifestadas por França e Itália. No entanto, a Comissão Europeia apresentou uma série de concessões, incluindo o fortalecimento de salvaguardas para o mercado e pagamentos antecipados aos produtores rurais. Essas medidas parecem ter convencido o governo italiano a mudar de lado. Se a maioria qualificada for atingida em Bruxelas, será a primeira vez que a França é derrotada em uma votação desse peso no Conselho, agravando a crise política enfrentada por Macron em seu próprio país.











