
O futebol sul-americano se prepara para uma metamorfose em sua essência competitiva. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) oficializou alterações profundas no regulamento da “Copa Libertadores da América” e da “Copa Sul-Americana”, válidas já para esta temporada de 2026. A decisão abandona o tradicional saldo de gols como fiel da balança, priorizando agora o embate frente a frente entre os clubes.
Essa mudança não é apenas técnica; é uma declaração de intenções. Ao adotar o confronto direto como primeiro critério, a entidade máxima do continente tenta “europeizar” o torneio, aproximando-o do formato da “Champions League”. Na prática, isso pune quem tropeça contra rivais diretos, mesmo que consiga golear os adversários mais frágeis do grupo. É uma faca de dois gumes que promete aumentar a tensão em cada 90 minutos.
O fim da soberania do saldo
A lógica antiga era simples: se você fizesse muitos gols em um time pequeno, estaria protegido. Agora, o peso recai sobre a competência nos duelos específicos. Se dois times empatarem em pontos, o que importa é quem foi melhor nos jogos de ida e volta entre eles.
“Nosso objetivo é elevar o nível de competitividade e premiar a eficiência nos momentos de maior pressão contra os adversários diretos”, afirmou um representante da CONMEBOL durante o anúncio das novas diretrizes.
A hierarquia do desempate
Para que não restem dúvidas sobre o cálculo, a nova estrutura de prioridades nos duelos entre as equipes empatadas segue esta ordem:
- Maior número de pontos nos confrontos diretos.
- Maior saldo de gols nos dois jogos entre as equipes.
- Maior número de gols marcados nos dois jogos entre si.
Caso o empate persista mesmo após essa análise cirúrgica, o regulamento volta a olhar para o desempenho geral na fase de grupos, mantendo a sequência de saldo de gols total, gols marcados, menor número de vermelhos, menor número de amarelos e, em última instância, o sorteio.
Grupos da Libertadores 2026
A sorte está lançada e os grupos já refletem o tamanho do desafio para os brasileiros que buscam os prêmios milionários, que este ano podem ultrapassar a marca de US$ 23.000.000 para o campeão.
- Grupo A: Flamengo, Estudiantes, Cusco e Independiente Medellín
- Grupo B: Nacional, Universitario, Coquimbo Unido e Deportes Tolima
- Grupo C: Fluminense, Bolívar, Deportivo La Guaira e Independiente Rivadavia
- Grupo D: Boca Juniors, Cruzeiro, Universidad Católica e Barcelona (EQU)
- Grupo E: Peñarol, Corinthians, Independiente Santa Fé e Platense
- Grupo F: Palmeiras, Cerro Porteño, Junior Barranquilla e Sporting Cristal
- Grupo G: LDU, Lanús, Always Ready e Mirassol
- Grupo H: Independiente del Valle, Libertad, Rosario Central e Universidad Central
Cenário na Sul-Americana
Na Copa Sul-Americana, o cenário é igualmente desafiador, com destaque para a presença de gigantes que buscam a redenção continental.
- Grupo A: América de Cali, Tigre, Macará e Alianza Atlético
- Grupo B: Atlético-MG, Cienciano, Academia Puerto Cabello e Juventud de Las Piedras
- Grupo C: São Paulo, Millonarios, Boston River e O’Higgins
- Grupo D: Santos, San Lorenzo, Deportivo Cuenca e Recoleta
- Grupo E: Racing, Caracas, Independiente Petrolero e Botafogo
- Grupo F: Grêmio, Palestino, Montevideo City Torque e Deportivo Riestra
- Grupo G: Olimpia, Vasco, Audax Italiano e Barracas Central
- Grupo H: River Plate, Red Bull Bragantino, Blooming e Carabobo
Análise do impacto disciplinar
Outro ponto que merece atenção é o peso dos cartões. Em um futebol conhecido pelo temperamento acirrado, terminar a fase de grupos com menos expulsões pode ser o diferencial entre a classificação e o adeus.
A imparcialidade nos obriga a notar que, embora a mudança busque justiça, ela pode tornar os últimos jogos da fase de grupos menos dinâmicos caso um time já tenha perdido no critério de confronto direto para o seu oponente de tabela. Resta saber se o torcedor vai abraçar essa nova matemática ou sentir saudades da época em que cada gol contra o lanterna valia ouro.










