
A ascensão da inteligência artificial (IA) está transformando o mercado de trabalho em ritmo acelerado. Enquanto algumas funções passam por automação, novas carreiras surgem para atender à demanda por profissionais capazes de desenvolver, treinar, implementar e manter sistemas inteligentes.
As oportunidades vão de cargos altamente técnicos até funções estratégicas e operacionais dentro das empresas. No Brasil, além da transformação tecnológica, existe também um desafio que é a formação de profissionais para atender à demanda crescente.
Para entender como essas funções são impulsionadas pela tecnologia em 2026 no contexto brasileiro, o TechTudo conversou com especialistas para detalhar esse cenário. Com o avanço das ferramentas, surge uma preocupação legítima sobre se softwares como “ChatGPT”, “Gemini Google”, “Manus AI” e “DeepSeek” irão substituir a mão de obra humana. Para Pettrus Vaz, fundador de empresas como Upflows, Manyflows, Criart, Criarch e IAIRON, a visão é clara.
“IA não substitui pessoas; ela substitui profissionais que não sabem usá-la”, afirmou Pettrus Vaz.
Novas relações
Roberta Antunes, cofundadora da Vetto AI, explica que esse advento inaugurou uma nova etapa nas relações trabalhistas. Segundo ela, as antigas rotinas de trabalhar em um lugar específico e horário fixo estão se transformando em um modelo mais flexível.
Ela afirma que ferramentas baseadas em modelos de linguagem permitem que pessoas de setores como marketing, educação, saúde ou vendas automatizem processos e criem soluções sem depender totalmente de equipes de tecnologia. Isso amplia a produtividade e a capacidade de inovação dentro das organizações.
Engenheiro de IA
Esta é hoje uma das profissões mais valorizadas do setor tecnológico. O profissional desenvolve sistemas capazes de aprender com dados, como chatbots e modelos generativos. Ele atua treinando modelos de machine learning e implementa soluções em plataformas usando linguagens como Python.
Para seguir nesta carreira, os cursos recomendados são Ciência da Computação, Engenharia da Computação ou Sistemas de Informação. Segundo o Guia Salarial 2026 da Robert Half, a remuneração média varia entre R$ 19.500 e R$ 27.100.
Consultor estratégico
Nem toda empresa precisa criar tecnologia do zero e muitas precisam apenas entender como aplicá-la. O consultor é responsável por analisar grandes volumes de informações e transformá-las em insights estratégicos.
“Esse profissional trabalha com estatística, modelagem preditiva e inteligência de negócios”, afirmou Tiago Zanolla, fundador da UFEM Educacional.
Cursos como Tecnologia da Informação, Matemática, Estatística, Administração ou Engenharia são ideais. Os salários podem variar entre R$ 18.000 e R$ 26.000.
Anotadores de dados
Esses profissionais são essenciais, mas pouco visíveis. Eles ajudam a ensinar os sistemas organizando e classificando dados como textos, imagens e áudios. Para Pettrus Vaz, essa é uma excelente porta de entrada.
No Brasil, a média salarial inicial gira em torno de R$ 2.750, mas quem trabalha com dados técnicos médicos ou jurídicos para empresas estrangeiras pode ganhar em dólar.
Profissionais de Letras, Comunicação, Jornalismo e áreas de Humanas levam vantagem por entenderem as nuances da linguagem.
Pesquisa avançada
Este é o perfil mais acadêmico do setor, focado em expandir as fronteiras do que a tecnologia pode fazer. Exige forte base em faculdades de exatas, frequentemente complementada por mestrado ou doutorado em Inteligência Artificial ou Matemática Aplicada.
Os salários refletem a alta especialização, onde profissionais de nível pleno a sênior no Brasil podem ganhar entre R$ 10.000 e R$ 18.000, com tetos muito maiores no mercado internacional.
Infraestrutura física
O crescimento da IA depende de servidores operando continuamente. O técnico de data center instala e mantém esses equipamentos, monitorando redes e sistemas de armazenamento. Cursos em Engenharia Elétrica, Mecânica ou técnicos em eletrotécnica e mecatrônica são fundamentais.
“É uma profissão altamente técnica, com salários iniciais atrativos e forte progressão para cargos de gerência”, diz Pettrus Vaz.
A demanda cresce para sustentar a computação em nuvem no país.
Alfabetização digital
Para os especialistas, a transformação reflete uma mudança nas habilidades valorizadas. Além do conhecimento técnico, cresce a demanda pela alfabetização em inteligência artificial (AI literacy). Empresas buscam profissionais com curiosidade intelectual, pensamento crítico para avaliar as respostas da máquina e adaptabilidade.
Roberta Antunes destaca que especialistas brasileiros já colaboram com laboratórios internacionais sem sair do país, graças ao trabalho remoto.
Fique por dentro
Vale a pena migrar para a área porque as profissões ligadas à tecnologia não são uma tendência passageira, mas a base da economia global. Especialistas sugerem que quem deseja começar deve explorar ferramentas de automação no dia a dia e aplicar a tecnologia em projetos práticos. A expectativa é que o volume de vagas continue aumentando à medida que as empresas ampliam investimentos em análise de dados, criando oportunidades em diversas camadas do mercado de trabalho.










