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O encontro entre o clássico e o contemporâneo que pulsa no palco do Teatro Amazonas

Foto: Bianca Amorim/SEC

A noite de terça-feira, 17 de março, reafirmou o papel do Teatro Amazonas como o grande epicentro da resistência cultural no Norte do país. O espetáculo “CDA Convida – Entrecorpus” não foi apenas uma apresentação de dança, mas um manifesto sobre a identidade de quem vive entre o concreto de Manaus e a densidade da floresta. Ao unir o consolidado Corpo de Dança do Amazonas (CDA) e a Entrecorpus Companhia de Dança, o Governo do Amazonas, via Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, promove um intercâmbio necessário para oxigenar a produção local.

Essência amazônica

A abertura da noite trouxe a obra “Urutau”, com coreografia assinada por Andressa Miyazato. Inspirada na ave noturna famosa por seu canto melancólico e camuflagem perfeita, a peça transportou o público para uma atmosfera de mistério. O CDA conseguiu traduzir em movimentos a dualidade entre estar presente e ser invisível, uma metáfora potente sobre a própria relação do homem com a mata.

Intercâmbio artístico

Para o diretor artístico do CDA, Mário Nascimento, o retorno ao palco principal da cidade após uma temporada de sucesso em São Paulo carrega um simbolismo especial de valorização das raízes.

“É muito importante estar de volta ao Teatro Amazonas, que é a nossa casa, ainda mais depois de uma temporada em São Paulo, com uma repercussão muito positiva. Esse projeto ‘CDA Convida’ possibilita essa troca com artistas locais, como a Entrecorpus, e fortalece o cenário da dança na cidade”, afirmou Mário Nascimento.

Narrativa urbana

Na segunda parte, a Entrecorpus Companhia de Dança apresentou “Nosso Encontro”, sob a direção de André Duarte. Se a primeira obra focava no místico e na natureza, esta trouxe o olhar para o asfalto e o cotidiano. A coreografia explorou os contrastes de viver em uma metrópole cercada pela maior floresta tropical do mundo, tocando em temas como pertencimento e as vivências pessoais dos intérpretes.

Os pontos altos da obra focada na identidade local incluem os seguintes pontos:

  • Reflexão sensível sobre a convivência entre o ambiente urbano e a floresta.
  • Construção de uma narrativa baseada nos afetos e encontros dos próprios bailarinos.
  • Diálogo estético que aproxima o espectador da realidade manauara.
  • Exploração de linguagens de movimento que mesclam o contemporâneo com o regional.

Olhar crítico

O coreógrafo André Duarte reforça que a dança é uma extensão do modo de ser do povo amazônida.

“É um trabalho que fala da nossa região, do nosso modo de ser, desse encontro entre a cidade e a floresta. A obra nasce das vivências dos intérpretes e transforma isso em dança, em afetos e em encontros que marcam quem vive nesse lugar”, explicou André Duarte.

Programação continuada

Iniciativas como o “CDA Convida” são vitais para que a dança contemporânea não fique restrita a nichos, mas alcance o grande público. A reunião de diferentes gerações de artistas no mesmo palco demonstra que há uma linha de continuidade e renovação na cultura do estado. Para quem perdeu a primeira noite, o espetáculo retorna ao Teatro Amazonas nesta quinta-feira, 19 de março, consolidando o compromisso com a formação de plateia e a valorização dos corpos artísticos locais.

Fonte: https://www.agenciaamazonas.am.gov.br/noticias/corpo-de-danca-do-amazonas-apresenta-urutau-e-nosso-encontro-em-noite-de-danca-no-teatro-amazonas/

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