
O mundo amanheceu com os olhos voltados para Manhattan. Nesta segunda-feira, 5/1, o Conselho de Segurança da ONU realiza uma reunião de emergência que pode redefinir as relações diplomáticas nas Américas. O motivo é a operação militar sem precedentes dos Estados Unidos em solo venezuelano, que resultou na captura e extradição imediata de Nicolás Maduro.
Enquanto diplomatas discutem a legalidade da “agressão criminosa” denunciada por Caracas, o ex-líder venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, aguardam o início de uma audiência histórica em um tribunal federal. O que está em jogo não é apenas o futuro de um homem, mas o conceito de soberania nacional em um século onde as fronteiras parecem cada vez mais frágeis diante de potências globais.
Para entender a gravidade do momento, é preciso observar os movimentos que ocorreram nas últimas 48 horas. A rapidez da transição e a dureza das declarações vindas de Washington mostram que o plano estava traçado nos mínimos detalhes.
- Audiência em Manhattan: Nicolás Maduro e Cilia Flores devem comparecer ao tribunal às 12h (horário local). As acusações incluem narcoterrorismo, posse de armas de guerra e conspiração para importar cocaína, um processo que o governo americano alimenta há anos.
- Posse sob ameaça: Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela e, em um primeiro momento, sinalizou abertura para o diálogo. Contudo, Donald Trump foi enfático ao afirmar que ela pagará um preço maior que o de Maduro se não seguir as diretrizes de transição impostas pelos EUA.
- Controle do petróleo: Trump declarou abertamente que os Estados Unidos vão administrar a Venezuela até que uma “transição adequada” ocorra. O foco central parece ser a retomada e o controle da infraestrutura petrolífera do país, citando a segurança do hemisfério como justificativa.
- Divisão internacional: O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, expressou profunda preocupação com o precedente perigoso que a ação militar cria. Países como China e Rússia apoiam o pedido de reunião de emergência, enquanto nações como a Argentina de Javier Milei celebram a queda do regime chavista.
Manifestações e o clima nas ruas
O impacto da operação cruzou o oceano. Em Portugal, manifestações estão agendadas para hoje em Lisboa e no Porto. O Conselho Português para a Paz e Cooperação convocou atos públicos em solidariedade ao povo venezuelano, criticando o que chamam de intervenção imperialista.
Por outro lado, em cidades como Boa Vista, no Brasil, a comunidade de migrantes venezuelanos celebrou a notícia com esperança de um retorno seguro ao país. Esse contraste de sentimentos reflete a complexidade de uma crise que mistura o alívio pelo fim de um governo autoritário com o medo das consequências de uma invasão estrangeira.
Um precedente perigoso ou uma libertação necessária?
A grande questão que paira no Conselho de Segurança hoje é se o fim justifica os meios. A captura de um chefe de Estado em exercício por forças estrangeiras é um evento raríssimo e extremamente controverso no direito internacional.
Se por um lado a Justiça americana busca punir crimes de tráfico que afetam sua população, por outro, a intervenção militar direta e a promessa de “governar” o país vizinho evocam memórias de períodos sombrios da história latino-americana. O desfecho da audiência de Maduro em Nova York e as decisões da ONU hoje darão o tom do que esperar para o restante de 2026.











