
A instalação dos novos radares de avanço de sinal e controle de velocidade nos principais corredores viários de Manaus acendeu um debate necessário sobre segurança e prioridade. De um lado, a tecnologia busca reduzir os sinistros de trânsito em vias de alta circulação. Do outro, motoristas manauaras demonstram receio de facilitar a passagem para ambulâncias e viaturas, temendo que o “olho do radar” não perdoe a manobra de emergência. O cenário exige clareza para que a fiscalização não se torne um obstáculo ao socorro imediato.
Prioridade absoluta e lei
O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) veio a público reforçar que a prioridade para veículos de emergência não é apenas uma questão de cortesia, mas uma determinação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Quando sirenes e luzes intermitentes estão acionadas, ambulâncias, viaturas policiais e carros dos bombeiros possuem prevalência total.
O vice-presidente de Trânsito do IMMU, Lêda Júnior, alerta que essa regra vale para qualquer via da capital, independentemente da presença de equipamentos eletrônicos. Ao abrir passagem, o condutor colabora diretamente para que o atendimento chegue a tempo, o que em muitos casos significa a diferença entre a vida e a morte.
Como agir diante do radar
Muitos condutores travam ao perceberem uma ambulância pedindo passagem em um cruzamento monitorado. No entanto, o sistema de fiscalização de Manaus possui mecanismos para evitar injustiças.
- Triagem das imagens: todos os registros captados pelos radares passam por uma análise humana antes da emissão da multa.
- Identificação de emergência: se a imagem mostrar que o avanço do sinal ocorreu para dar passagem a um veículo de socorro, a autuação deve ser cancelada automaticamente nessa fase inicial.
- Deslocamento seguro: a orientação oficial é que os motoristas se desloquem para a direita da via e parem, se necessário, para liberar o corredor central ou esquerdo.
Garantia de defesa e provas
Mesmo com a triagem, falhas podem ocorrer. Caso a notificação chegue à residência do motorista, o direito à defesa é garantido e amparado por provas tecnológicas. Além das próprias imagens do IMMU, o cidadão ganhou um aliado importante na comprovação da sua boa fé.
O uso de gravações próprias, como vídeos de celular ou câmeras de painel (dashcams), é aceito no processo administrativo. Se o motorista registrar o momento em que abriu espaço para o socorro, esse material pode ser apresentado ao órgão de trânsito para anular a infração. A tecnologia que fiscaliza deve ser a mesma que protege o condutor consciente.
Empatia no trânsito manauara
A segurança viária em Manaus não depende apenas de multas ou sensores, mas de uma cultura de colaboração. O medo de uma sanção financeira não pode ser maior do que a responsabilidade social de salvar uma vida. A prefeitura ressalta que atitudes de empatia e responsabilidade são fundamentais para que as equipes de emergência cumpram seu papel com agilidade.
No final das contas, o radar está ali para punir a imprudência e não o ato de heroísmo cotidiano de quem abre caminho para a vida passar. O diálogo entre o poder público e o cidadão é o que garantirá que as vias de Manaus sejam rápidas para quem precisa de socorro e seguras para quem nelas trafega.
ASCOM: Marcelo Lima / IMMU










