No ritmo da resistência, bois-bumbás pintam o Sambódromo com ancestralidade e emoção

Festival Folclórico do Amazonas celebra tradição e identidade com disputa de bois da Categoria Ouro

Foto: Aguilar Abecassis/SEC

O 67º Festival Folclórico do Amazonas transformou o Sambódromo de Manaus em um palco vibrante nas noites de sexta-feira (25/07) e sábado (26/07), com as aguardadas apresentações dos bois-bumbás da Categoria Ouro. O evento, realizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, foi um verdadeiro espetáculo de cores, ritmos e histórias, exaltando a riqueza das manifestações populares amazonenses.

Primeiros espectáculos: sexta-feira (25/07)

A abertura do festival foi marcada pela energia contagiante das toadas e pela força simbólica dos bois Clamor de Um Povo, Tira Prosa e Galante. Cada boi trouxe um espetáculo distinto, enaltecendo a ancestralidade amazônica, os elementos da natureza e o sentimento de pertencimento aos povos da floresta.

  • Boi-bumbá Clamor de Um Povo (Tema: “Misticismos dos Pássaros”): Com 22 itens, o boi aurinegro explorou a espiritualidade e o simbolismo dos pássaros como mensageiros. Figurino de impacto e coreografias vigorosas levaram o público a uma experiência sensorial de fé e conexão com a natureza. O tripa Diego Sant expressou confiança: “Estou nervoso, mas muito confiante. Sei o que vim fazer na arena, estou preparado”.
  • Boi-bumbá Tira Prosa (Tema: “Amazônia Mãe”): Fundado em 1945, o Tira Prosa apresentou um espetáculo conectado às raízes da floresta e à tradição espiritual, refletindo sobre o ventre da vida e a luta dos povos amazônicos. A encenação evocou xamãs, seres míticos e guerreiras, com trilha sonora autoral e forte apelo visual. A diretora Fernanda Souza destacou a fé e o esforço coletivo: “Nosso boi é feito com fé, resistência e muito esforço coletivo.”
  • Boi-bumbá Galante (Tema: “Amazônia – Terra de Ajurí, flautas e maracás”): Reconhecido pela emoção e proximidade com a comunidade, o Galante, fundado em 1993, reforçou o compromisso com a preservação da Amazônia. O tema destacou instrumentos indígenas como símbolos de convocação à união em defesa da floresta. Gilson Nascimento, da diretoria, afirmou: “A preservação não é só responsabilidade dos povos indígenas. Todos que vivem aqui têm que assumir esse compromisso.”

Segunda noite de disputa: sábado (26/07)

O sábado culminou com as apresentações dos bois Garanhão, Corre-Campo e Brilhante, que mantiveram o alto nível de tradição e emoção.

  • Boi-bumbá Garanhão (Tema: “Legados: o futuro é ancestral”): Representando o bairro Educandos, o Garanhão exaltou heranças culturais indígenas, afro-brasileiras, nordestinas e seu próprio legado. O presidente João Paulo, em sua estreia, expressou a emoção de oito meses de trabalho: “São oito meses de trabalho, esforço, choros e alegrias. E hoje vamos colocar em cena tudo o que sonhamos”. A Rainha do Folclore Kaynara Mota e o apresentador Arlindo Neto, filho de um dos fundadores, também destacaram a responsabilidade e a honra de suas estreias.
  • Boi-bumbá Corre-Campo (Tema: “Amazonidade”): O boi da Cidade Nova entrou na arena com a força de sua hegemonia, reforçando sua identidade amazônica em uma apresentação bem estruturada. O presidente Leon Medeiros, confiante, afirmou: “O Corre-Campo vem muito preparado, com um time forte. Já são sete títulos consecutivos, e estamos prontos para buscar o oitavo”. A rainha Jennifer Santos ressaltou a dedicação da equipe e a intensidade da disputa: “A gente dedica bastante tempo, sabe, para entregar um bom trabalho. E, se Deus quiser, vamos ser outra vez campeões”.
  • Boi-bumbá Brilhante (Tema: “Terra-Folclore”): Do bairro Compensa, o Brilhante emocionou o público ao enaltecer a ligação entre o sagrado, a cultura popular e a resistência. A presidente Djanne Senna destacou o empenho coletivo: “O Brilhante vem de uma jornada de recuperação. E o que vocês assistiram foi fruto de muito amor e muita dedicação”. O apresentador Ornello Reis, em seu retorno após vencer uma batalha contra o câncer, compartilhou um depoimento emocionante sobre o “sabor especial” de voltar a fazer o que tanto ama.

Cada boi apresentou propostas cênicas distintas, mas todas carregadas de identidade cultural, pertencimento e arte popular, celebrando a rica tradição do Festival Folclórico do Amazonas.

Apuração

A expectativa agora se volta para a apuração do boi campeão, que acontecerá nesta segunda-feira, 28 de julho, às 15h, no auditório Gabriel Gentil do Centro Cultural Povos da Amazônia, localizado na Avenida Silves, 2.222, Distrito Industrial I, zona sul.

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