
Matheus Nachtergaele é uma daquelas figuras raras que parecem respirar o ofício da atuação em cada gesto. Aos 57 anos, o ator reafirma que a arte é o que mais o atravessa, colocando a carreira em um patamar de prioridade que molda sua própria existência. Para ele, não estar trabalhando é quase como estar fora da vida. Essa dedicação visceral reflete-se em uma trajetória que une o prestígio do cinema nacional ao carisma das novelas da TV aberta, onde ele afirma trabalhar para o Brasil com S.
O impacto de Poliana e o legado de “Vale Tudo”
A recente participação de Matheus no remake de “Vale Tudo” como o personagem Poliana consolidou mais um sucesso em sua vasta lista de trabalhos na Globo. Mesmo vindo de uma sequência exaustiva de projetos em 2024, ele aceitou o convite para integrar uma obra emblemática da dramaturgia brasileira que encerrou sua exibição em outubro passado. O ator guarda a versão original na memória como o último folhetim que acompanhou antes de ingressar no CPT (Centro de Pesquisa Teatral). Interpretar um papel que foi originalmente de Sérgio Mamberti representou uma honraria e um compromisso com o público que assiste à televisão em todos os cantos do país, desde as grandes metrópoles até as aldeias e quilombos.
A sensibilidade ao abordar a assexualidade em rede nacional
Um dos pontos mais comentados de sua atuação recente foi a forma delicada com que a trama abordou a assexualidade. Matheus expressou surpresa positiva com a escrita de Manuela Dias, que inseriu o tema de maneira inteligente e sem alardes desnecessários. Representar a letra A da sigla LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Queer, Intersexo, Assexuais e mais) foi um desafio aceito com profunda responsabilidade. O ator acredita que as nomenclaturas são temporárias e servem para acostumar a sociedade com a liberdade de amar, prevendo um futuro onde a bandeira do arco-íris será simplesmente a bandeira do amor.
O fenômeno de público com “O Auto da Compadecida 2”
O reencontro com o público através de João Grilo em “O Auto da Compadecida 2” provou que o carinho dos brasileiros por sua obra permanece intacto. O longa-metragem ultrapassou a marca de 4 milhões de espectadores, reafirmando a força do cinema nacional quando aliado a histórias que tocam a alma do povo. Matheus destaca que se sente especialmente vivo quando está no ar na televisão, pois entende que esse veículo abre uma cortina para o país inteiro, mantendo o senso de responsabilidade elevado em cada cena que grava.
Cronograma de novos projetos e foco em “Cabra da Peste 2”
Após emendar trabalhos como o Norberto em “Renascer” e as filmagens da segunda temporada de “Cidade de Deus – A Luta Não Para”, o ator planejou uma pausa estratégica para descanso. O início das gravações de “Cabra da Peste 2” para a Netflix foi programado justamente para este período de janeiro e fevereiro de 2026. Esse intervalo foi fundamental para que ele pudesse se preparar para os novos desafios criativos que a sequência exige. A dedicação de Matheus envolve um estudo rigoroso, onde ele decora textos e planeja cada cena com antecedência, mantendo o que chama de plano de voo para seus personagens.
A cura pessoal por meio do espetáculo “Processo de Conscerto do Desejo”
No teatro, Matheus mantém vivo seu projeto mais íntimo e precioso, que já completa uma década em cartaz. O espetáculo utiliza poemas escritos por sua mãe, Maria Cecília, que faleceu quando ele tinha apenas três meses de idade. O título utiliza um neologismo que une as palavras conserto e concerto, simbolizando uma reparação emocional por meio da performance. Alguns detalhes marcantes sobre essa obra incluem os seguintes pontos.
- Matheus soube da verdadeira causa da morte da mãe apenas aos 16 anos por meio de seu pai.
- O acervo de 27 poemas datilografados transformou o ator em um leitor voraz e influenciou sua formação artística.
- A peça é descrita como uma cerimônia de adeus e uma catarse onde ele se sente fundido à imagem materna.
- O desejo mencionado no título é o motor que o faz querer viver e continuar produzindo aos 57 anos.
Maturidade e o cuidado com a longevidade
A chegada da idade trouxe novas reflexões para o artista, que agora encara os sintomas naturais do envelhecimento com sobriedade e gratidão. Matheus parou de consumir bebidas alcoólicas há 12 anos e mantém hábitos saudáveis, como natação e caminhadas com seus cães. Embora brinque que possui um corpo de 47 anos, ele pretende parar de fumar para garantir uma velhice com mais saúde e qualidade de vida. Sua gratidão pela experiência de viver é imensa, focando no amadurecimento cultural como o ápice da existência humana e agradecendo por cada momento em que sua arte toca outras pessoas.










