
O cenário político no Amazonas ganha contornos de debate administrativo com a recente movimentação de Maria do Carmo Seffair (PL). Em entrevista concedida nesta terça-feira ao programa da Difusora FM, a pré-candidata ao governo estadual apresentou uma plataforma que tenta converter sua trajetória no setor empresarial em uma solução para os problemas crônicos da máquina pública. A estratégia foca na ideia de que a eficiência corporativa é o remédio para o que ela classifica como uma mistura de corrupção e falta de competência técnica.
A lógica da eficiência privada no setor público
A grande aposta da empresária é a desmistificação da gestão estatal. Segundo ela, administrar um estado exige a mesma transparência e busca por resultados de uma empresa. Essa narrativa busca atrair o eleitor cansado dos modelos tradicionais, embora ignore as complexidades burocráticas e as amarras jurídicas que diferenciam o Palácio da compensação financeira de uma holding.
“A gestão estatal não difere muito da privada”, afirma Maria do Carmo ao defender que o orçamento atual do Amazonas é suficiente para entregar serviços de melhor qualidade caso seja bem gerenciado.
O retorno do órgão rodoviário e a crise das estradas
Um dos pontos centrais da fala da pré-candidata, e que recebeu coro técnico de especialistas como o professor Marcos Maurício, é a recriação do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (DER-AM). A proposta surge como uma resposta direta ao sucateamento da malha rodoviária estadual, que hoje amarga posições críticas nos rankings de infraestrutura nacional.
A situação das rodovias estaduais exige medidas urgentes e foco em manutenção permanente:
- O abandono da rodovia AM-364 em Manicoré é apontado como símbolo da precariedade atual.
- Trechos das rodovias AM-352 e AM-454 apresentam sérios riscos ao escoamento da produção e segurança.
- A rodovia AM-010 e a AM-070 ainda sofrem com problemas de conservação que travam o desenvolvimento regional.
- A criação de uma autarquia específica permitiria uma gestão mais técnica e menos política das obras.
O impasse histórico da rodovia federal BR-319
A questão da Rodovia Federal (BR-319) também entrou no radar da pré-candidata com uma proposta ousada de estadualização do trecho central. A ideia é que o Governo do Amazonas assuma a reconstrução dos 405 quilômetros conhecidos como “Trecho do Meio” através de convênios.
O momento é simbólico, já que no próximo dia 27 de março a rodovia completará 50 anos de sua inauguração original em 1976. O que deveria ser uma data de comemoração se tornou um lembrete de décadas de promessas não cumpridas e isolamento terrestre de Manaus em relação ao restante do país.
Desafios políticos e a relação com o legislativo
Apesar do tom crítico à atual gestão, Maria do Carmo adotou uma postura diplomática ao falar sobre a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). A pré-candidata sabe que sem o apoio dos deputados nenhuma reforma administrativa sobrevive. Ela defende a descentralização do governo com a criação de polos regionais no interior, o que poderia levar a estrutura do estado para mais perto do cidadão e reduzir a dependência da capital.
Resta saber se a promessa de ruptura com o modelo atual será suficiente para convencer o eleitorado de que o perfil de gestora consegue navegar nas águas turbulentas da política partidária amazonense sem perder a eficiência prometida.









