
A saúde pública de Manaus iniciou esta segunda feira (12/1) com um olhar atento para uma das doenças mais antigas da humanidade, mas que ainda exige mobilização total da sociedade. O lançamento da campanha “Janeiro Roxo” na sede do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), no bairro Colônia Antônio Aleixo, representa muito mais do que um cronograma de serviços médicos. Trata se de um movimento de acolhimento e esclarecimento em uma região que carrega marcas históricas do enfrentamento à hanseníase. A iniciativa coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) busca transformar a desinformação em cuidado e o preconceito em solidariedade.
O mutirão de serviços oferecido hoje demonstra que o combate à doença deve ser integrado. Além das consultas dermatológicas, a oferta de vacinação e testes rápidos para outras condições reforça a importância de ver o paciente como um todo. Quando o poder público ocupa espaços como o Morhan, ele valida a voz de quem luta diariamente pela reintegração social e pelo fim do estigma que, muitas vezes, dói mais do que os próprios sintomas físicos.
Diagnóstico precoce é a principal arma contra as sequelas
A hanseníase é uma doença silenciosa e de evolução lenta. Como bem explicou a equipe técnica da Semsa, o bacilo causador pode permanecer incubado por anos antes de manifestar os primeiros sinais. No ano passado, Manaus registrou 106 novos casos, e o dado mais preocupante é que dez deles ocorreram em menores de 15 anos. Isso acende um alerta sobre a transmissão ativa dentro dos lares, onde o contato próximo e prolongado facilita o contágio.
A diretora do Distrito de Saúde Leste, Rosângela Castro, enfatizou a importância de quebrar as barreiras do medo.
“Um dos focos é a promoção de rodas de conversa com a comunidade nas unidades de saúde. Muitas vezes, a comunidade não sabe o que é a hanseníase e é importante esclarecer, informar sobre os sintomas e a importância do diagnóstico precoce. Também é uma forma de combater o preconceito que ainda existe. A hanseníase tem cura e tratamento, e não há necessidade de se isolar ou afastar as pessoas com a doença”, afirmou a gestora.

Os sinais que merecem atenção redobrada da população são os seguintes:
- Manchas na pele com cores esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas.
- Perda de sensibilidade ao calor, ao frio e até mesmo à dor ou ao tato.
- Sensação de formigamento, dormência ou fisgadas nas mãos e nos pés.
- Diminuição da força muscular e dificuldade para segurar objetos simples.
- Áreas da pele com queda de pelos e ausência de suor.
Testagem rápida e o fim do estigma social
Uma das grandes evoluções no controle da doença em Manaus é o uso de testes rápidos em 12 unidades de saúde habilitadas. Essa tecnologia permite identificar pessoas com maior risco de adoecimento de forma ágil, sem a necessidade de grandes estruturas laboratoriais. O objetivo é interromper a cadeia de transmissão o quanto antes, pois o paciente deixa de transmitir o bacilo apenas 72 horas após o início do tratamento.
O coordenador do Morhan Amazonas, Vilmar Souza da Costa, reforçou que a cura da doença precisa vir acompanhada da cura social.
“Enquanto instituição, estamos aqui para informar a comunidade que a hanseníase tem cura e o preconceito também. A discriminação ainda existe, não tanto como antigamente, e estamos aqui para mostrar que o preconceito só prejudica o controle da doença, não leva informação e só atrapalha o tratamento e cura”, alertou a liderança.
A hanseníase não pode mais ser vista como uma sentença de isolamento. Com o tratamento gratuito disponível em toda a rede municipal, a meta deste “Janeiro Roxo” é garantir que nenhum manauara sofra com incapacidades físicas por falta de diagnóstico. Informar se é um ato de saúde pública e acolher o próximo é um dever de cidadania.
ASCOM: Eurivânia Galúcio/Semsa











