Manacapuru respira ciranda e vira palco da cultura amazônica com três dias de explosão artística

Os responsáveis pelos projetos artísticos das agremiações abriram os galpões antes do início do Festival de Cirandas 2025

Cirandas de Manacapuru revelam propostas artísticas que misturam tradição e inovação - Foto: Aguilar Abecassis/SEC

A poucos dias do 27º Festival de Cirandas de Manacapuru, o município, a 68 quilômetros de Manaus, respira arte e tradição. O evento, que acontece de 29 a 31 de agosto no Parque do Ingá, é mais que uma competição: é a celebração da identidade cultural de um povo que encontra na ciranda a sua maior expressão.

Neste ano, o Festival ganhou um reforço inédito do Governo do Amazonas, com um investimento recorde de R$ 3,6 milhões, além da entrega de equipamentos de segurança aos artistas. Esse apoio permitiu que as três agremiações finalizassem os preparativos com mais tranquilidade, transformando os galpões em verdadeiras fábricas de sonhos.

Guerreiros Mura: “Mergulho na Tradição Ribeirinha”

Artista plástico Carlos Pizano – Foto: Aguilar Abecassis/SEC

Abrindo o festival na sexta-feira, a Ciranda Guerreiros Mura traz para a arena o tema “Estiagem e Alagação: O Segredo das Águas”. Com 14 alegorias, a ciranda inova ao mesmo tempo em que se reconecta com suas raízes. “A ciranda está voltando às suas origens, com a responsabilidade de defender o título. A Guerreiros Mura chega grandiosa, mas sem perder sua essência”, revela o diretor-geral, Ludem Cley Monteiro.

O artista plástico Carlos Pizano conta que o objetivo é fazer com que o público e os jurados “mergulhem” nas águas dos rios amazônicos. A proposta é criar um “mundo encantado”, transportando a todos para o universo místico das águas.

Ciranda Tradicional: “O Grito de Proteção da Amazônia”

Artistas plásticos Geremias Pantoja e Algles Ferreira – Foto: Aguilar Abecassis/SEC

Com o tema “Sapucaîa’y – O Grito que Vem das Águas”, a Ciranda Tradicional promete um espetáculo que une lendas, religiosidade e a luta pela preservação. A agremiação busca conscientizar sobre a proteção dos rios, que alimentam as histórias e tradições passadas de geração em geração.

Os artistas plásticos Geremias Pantoja e Algles Ferreira explicam que a ciranda usará a tecnologia para contar essa história. “Vamos unir cenografia e efeitos de forma harmônica, casando o tecnológico com as tintas luminosas, criando uma dinâmica diferente”, afirma Algles. O espetáculo, que contará com 12 módulos alegóricos, é uma homenagem às lendas aquáticas e aos povos indígenas, que são os verdadeiros guardiões da floresta.

Flor Matizada: “O Sonho que Move a Luta Cirandeira”

Conselheiro artístico Diego Araújo – Foto: Aguilar Abecassis/SEC

Encerrando o festival, a Ciranda Flor Matizada leva à arena o tema “Amazônia: Sonho e Luta Cirandeira”. Com um projeto inspirado no universo infantil, a agremiação aposta na pureza do olhar de “cirandeiros mirins” para encantar o público e conquistar o título.

O conselheiro artístico Diego Araújo explica que o espetáculo é um mundo imaginário, que promove o encontro com criaturas da floresta e do folclore amazônico. “Cada detalhe foi pensado para que o espetáculo se torne algo incrível: um verdadeiro sonho infantil que explode em cores, luz e movimento”, destaca. O espetáculo contará com 16 módulos, cenários fixos e móveis, que servirão como um palco para os atores e cirandeiros darem vida à magia da floresta, valorizando a fauna, a flora e os povos da região.

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