Mundo Maduro sofre novo revés e justiça americana proíbe compartilhamento de provas

Maduro sofre novo revés e justiça americana proíbe compartilhamento de provas

O juiz federal responsável pelo caso criminal contra Nicolás Maduro em Nova York desferiu mais um golpe na defesa do ditador venezuelano na terça-feira, 7 de abril. A nova determinação proíbe os advogados de compartilharem provas do processo com outros réus que permanecem foragidos da justiça.

“O material do caso não pode ser compartilhado com nenhum réu que ainda não tenha sido preso, nem com seus advogados”, declarou o juiz Alvin K. Hellerstein em uma ordem judicial.

“Não é necessário compartilhar essas provas para preparar a defesa”, afirmou o magistrado.

Risco a testemunhas

A decisão apoia o pedido da promotoria que havia solicitado a limitação do acesso ao material devido aos potenciais riscos para as testemunhas e para a investigação em andamento.

A medida exclui outros réus que ainda não foram capturados e que negam as acusações.

  • Diosdado Cabello: ministro do interior venezuelano.
  • Nicolás Maduro Guerra: filho mais velho de Maduro.
  • Ramón Rodríguez Chacín: político e ex-funcionário.
  • Héctor Guerrero Flores: conhecido como Niño Guerrero e apontado como líder do grupo criminoso Tren de Aragua que foi classificado como organização terrorista transnacional pelo governo do ex-presidente americano Donald Trump.

Detenção prolongada

Este é o segundo revés recente para Maduro e sua esposa Cilia Flores. O casal foi capturado em uma operação militar dos Estados Unidos no início de janeiro de 2026 em Caracas e transferido para Nova York.

Eles estão detidos há mais de 90 dias no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, local que foi alvo de registros visuais pelo fotógrafo Selcuk Acar da Anadolu via Getty Images em janeiro.

Ambos enfrentam pesadas acusações de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção, crimes dos quais se declararam inocentes desde a chegada ao território americano.

Disputa financeira

Em sua segunda audiência realizada em 26 de março o juiz Hellerstein recusou o arquivamento do caso solicitado pela defesa. Os advogados alegam que o governo americano está obstruindo o trabalho ao não conceder uma licença que permitiria ao governo venezuelano arcar com os altos custos advocatícios.

“Saquear a riqueza da Venezuela”, acusaram os promotores durante a sessão ao rebaterem a solicitação financeira da defesa.

Embora o juiz, indicado pelo ex-presidente americano Bill Clinton, tenha afirmado que em breve emitirá uma decisão sobre se Caracas deve ter permissão para cobrir as despesas legais, ele deixou claro que essa questão não invalida o processo criminal. Hellerstein questionou ambos os lados sobre as implicações do uso de sanções e a disponibilidade de outros recursos para custear a defesa.

Cenário em Caracas

O andamento do processo coincide com uma marca importante na política venezuelana. Delcy Rodríguez já ultrapassou os 90 dias como líder interina da Venezuela, limite que foi estabelecido pela Suprema Corte após a prisão de Maduro.

De acordo com a Constituição do país, quando o líder está temporariamente ausente a vice-líder deve assumir o cargo por um período máximo de três meses.

Agora cabe à Assembleia Nacional prorrogar esse período interino por mais 90 dias caso julgue necessário para a estabilidade do país.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/maduro-sofre-nova-derrota-na-justica-dos-eua-entenda/

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