
Com uma proposta que mistura contação de histórias, humor e crítica social, o espetáculo “As aventuras da madama Mimi” realizou duas apresentações nos dias 26 e 27 de março em Manaus. O projeto passou por uma escola pública e pela Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI), buscando ampliar o acesso à cultura em diferentes territórios da cidade. A circulação promoveu encontros entre gerações e reflexões sobre desigualdade, privilégios e relações sociais.
Roteiro das apresentações
A primeira etapa da circulação aconteceu no dia 26 de março, no CETI Áurea Pinheiro Braga. No local, os estudantes acompanharam a narrativa conduzida pela personagem Val, a criada da excêntrica Madama Mimi. Já no dia seguinte (27/3), data em que se celebra o Dia Internacional do Teatro, o espetáculo foi apresentado ao grupo de teatro Renascer Izael Tavares, formado por pessoas com mais de 60 anos, na FUnATI.
Inversão de perspectiva
A peça parte de um ponto de vista diferenciado. Em vez de focar diretamente na figura de Madama Mimi, uma mulher rica e desconectada da realidade, o público acessa as histórias por meio do olhar de Val. A personagem narra as situações com senso crítico e humor, o que permite abordar temas complexos de forma acessível para públicos de idades distintas.
- O espetáculo utiliza o humor para tratar de desigualdade social.
- A narrativa foca na relação entre patroa e empregada.
- A dinâmica aproxima a realidade dos estudantes e dos idosos.
Teatro na terceira idade
Na FUnATI, o encontro ganhou um caráter simbólico ao dialogar com um grupo que também vive a experiência teatral. A coordenadora do grupo Renascer Izael Tavares, Lilian Machado, destacou que a apresentação foi marcada pela identificação e sensibilidade.
“Foi um presente poder receber um trabalho com tantas camadas de emoção, especialmente no Dia Internacional do Teatro. A proposta dialoga diretamente com a vivência do nosso grupo, composto por pessoas 60+. Foi uma experiência incrível, todos ficaram maravilhados com o talento da Nicka. Estamos muito gratos por termos sido esse público que aplaudiu a obra”, destacou Lilian Machado.
Arte e bem-estar
A presença da peça no espaço reforça o papel da arte na promoção da qualidade de vida. Segundo a pró-reitora de Extensão, Cultura e Lazer da FUnATI, Stella Torres, as atividades culturais impactam diretamente o cotidiano dos participantes. Ela afirma que, seja no teatro ou na música, as artes auxiliam no desenvolvimento de habilidades, no fortalecimento da autoestima e na preservação das questões cognitivas e sociais.
Memórias e criação
A construção da personagem Val, interpretada pela atriz Nicka, parte de experiências pessoais e memórias afetivas. A artista buscou referências em suas próprias avós para dar vida à personagem, cruzando vivências de quem muitas vezes abdicou de sonhos para viver em função do outro.
“Interpretar a Val é como um presente. No processo de criação, busquei referências nas minhas avós, duas vivências distintas que se encontram na encruzilhada entre abdicar dos seus sonhos e viver para o outro. Me apropriei dessas memórias para dar vida à personagem”, explicou Nicka.
Reflexão para todas as idades
O espetáculo provoca diferentes camadas de leitura. Para o público jovem, abre espaço para refletir sobre privilégios e escolhas de vida. Já para a terceira idade, representa uma oportunidade de ver suas próprias histórias representadas no palco, percebendo que suas vivências não foram esquecidas.
Com direção de Francy Junior e realização da KUMA Produções, “As aventuras da madama Mimi” reafirma o teatro como ferramenta de acesso, escuta e transformação social ao circular por espaços educacionais e alcançar públicos diversos na capital.
Ficha técnica:
- Direção: Francy Junior
Atuação: Nicka
Texto: Mariellen Kuma
Produção e sonoplastia: Mayara Cabral
Figurino: Wendy Lady
Acessibilidade: Elida Alencar
ASCOM: Maria Fernanda Carmim











