
Pois aconteceu de novo. Pontual como promessa de campanha, a pavimentação do “trecho do meio” da BR-319 voltou ao destaque.
Já é recorrente que basta o calendário eleitoral dar uma piscada que a velha estrada sai do atoleiro direto para o horário nobre da propaganda oficial. E não se trata de coincidência.
Novamente, com direito a visita presidencial, tapete estendido e discurso ensaiado, a BR-319 ganha mais uma camada, não de asfalto, mas de expectativa reciclada. O “trecho do meio”, um personagem quase mítico, continua lá, mais citado que resolvido.
Enquanto isso, ambientalistas e defensores da obra seguem no mesmo roteiro de sempre — um puxando para um lado, outro para o outro —, de modo que a estrada prossegue sendo o maior símbolo nacional de que, no Brasil, obra pública também tem ciclo eleitoral.
No centro do grande espetáculo

O cenário já está preparado para o grande espetáculo. A segunda quinzena de abril promete em tudo: visita presidencial, anúncios, investimentos e imagens bonitas para a propaganda. Porque nada combina mais com obra do que câmera ligada.
A BR-319 agora entra oficialmente no clima de exibição. E não é qualquer exibição — é com direito a comitiva, aliados sorridentes e aquela sensação de que, desta vez, vai. Ou, pelo menos, vai render boas imagens com os senadores Eduardo Braga e Omar Aziz presentes.
O clima político para o espetáculo é avaliado com lupa. Porque não basta asfaltar estrada — é preciso pavimentar palanque. E nisso Brasília tem mais experiência do que qualquer empreiteira.
Governador-tampão em 4 de maio

Os deputados estaduais marcaram a eleição para governador-tampão para o dia 4 de maio.
Em meio ao clima, empresários fazem contas, não de investimento, mas de sobrevivência. Porque, entre uma articulação política e outra, contratos podem entrar em “modo espera”, aquele estágio em que ninguém sabe quando — ou se — vai sair do papel.
Já o governador interino Roberto Cidade voltou de Brasília com cara de quem viu mais do que gostaria. A temperatura estava “pesada” na capital federal.
Acabou o duelo Cidade/Omar?

Roberto Cidade segue firme rumo à eleição-tampão que, em tese, já estaria resolvida, conforme informações de bastidores.
Um acordão foi costurado: Cidade se elege governador-tampão com o apoio, inclusive, do PSD e do MDB.
Depois, ele governaria até o fim do mandato no Palácio da Compensa sem incomodar a caminhada de Omar Aziz para tentar voltar a comandar o Amazonas.
Uma fonte próxima a Cidade disse à coluna com ironia: “Esse acordão é só para quem lá leu e acredita no livro ‘História da Carochinha’, um famoso e engraçado livro de contos de fadas tradicionais e lendas populares, datado de 1896, de Alberto Figueiredo Pimentel”.
Rejeição alta, persistência maior ainda

O ex-prefeito David Almeida resolveu provar que, na política, teimosia pode ser confundida com estratégia. Mesmo com índices de rejeição que fariam qualquer um repensar a rota, ele segue firme — e agora com um “núcleo técnico” formado por velhos conhecidos.
A ideia é reunir ex-secretários, embalar experiências passadas e apresentar como novidade. Afinal, nada mais inovador do que reciclar o que já foi testado — especialmente quando o eleitor ainda lembra de alguma coisa.
Entre visitas ao interior e reuniões técnicas, David aposta que insistir bastante pode, quem sabe, convencer alguém. Ou pelo menos garantir presença constante no noticiário.
Liberdade de imprensa
A agressão ao repórter João Lucas da Silva Mariano acendeu o alerta e também o discurso oficial de sempre: “vamos apurar”. Uma frase que, na política, funciona como curativo imediato, embora raramente resolva a ferida.
O gesto do governador interino Roberto Cidade foi rápido — determinou investigação e condenou o episódio. Agora resta saber se a apuração vai correr com a mesma velocidade da indignação.
No fim das contas, entre empurrões e notas de repúdio, o que realmente importa é garantir que jornalista não precise de capacete para trabalhar.










