Lula fica do lado errado da história enquanto Maduro é levado para a cadeia

Donald Trump e Lula - Foto: Reprodução/X

A recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela resultou na captura de Nicolás Maduro e provocou um abalo profundo na política externa brasileira. Enquanto o mundo observa a transferência do ex-ditador para uma cela em Nova York, o Palácio do Planalto se vê em uma situação de paralisia e contradição. O presidente Lula tentou equilibrar uma aproximação pragmática com Donald Trump nos últimos meses, mas a ação decisiva de Washington contra o regime chavista revelou que o Brasil perdeu o protagonismo nas decisões estratégicas da América Latina.

A tentativa de Lula de manter uma relação cordial com o republicano foi motivada por interesses comerciais, como a redução de tarifas sobre a carne e o café. Entretanto, o ataque norte-americano em solo venezuelano sem consulta prévia ao governo brasileiro demonstra que a suposta influência do petista sobre Trump é limitada. Ao criticar a operação e classificar a captura de Maduro como uma afronta à soberania, Lula se afasta das democracias ocidentais que celebraram o fim de uma ditadura acusada de crimes contra a humanidade e narcotráfico.

O governo brasileiro agora enfrenta o desgaste de ter sido um aliado histórico do chavismo. Embora Lula tenha endurecido o discurso após as fraudes eleitorais de 2024, a relutância em apoiar abertamente a deposição de um ditador cria um vácuo de liderança no continente. A nota oficial emitida pelo presidente brasileiro evitou condenar os crimes de Maduro e preferiu focar na legalidade da incursão militar, o que soa como uma defesa indireta de um regime que já estava isolado.

Essa postura gera críticas imediatas tanto da oposição interna quanto de líderes internacionais. Ao optar por um tom de lamentação pela forma como a queda ocorreu, o Brasil parece ignorar o sofrimento da população venezuelana sob o comando de Maduro. Esse posicionamento reforça a tese de que a ideologia ainda pesa mais do que os valores democráticos na condução da diplomacia atual.

A fragilidade da química entre Lula e Trump diante dos fatos

O otimismo gerado pela melhora nas relações comerciais entre Brasília e Washington foi colocado à prova. O governo brasileiro acreditava que o diálogo direto com Trump garantiria uma estabilidade na região, mas a realidade dos fatos mostrou o contrário.

  • A operação militar foi planejada e executada sem o respaldo ou a participação do Brasil.
  • Trump ignorou o papel de mediador que Lula tentou exercer nos últimos anos.
  • A queda de Maduro fortalece a direita na América Latina e isola governos de esquerda.
  • O Palácio do Planalto agora precisa lidar com o fato de que seu maior parceiro comercial agiu contra um de seus aliados ideológicos mais próximos.

O contraste com a liderança internacional de Emmanuel Macron

Enquanto o Brasil adota uma postura cautelosa e defensiva, a França assumiu a vanguarda do reconhecimento democrático. O presidente Emmanuel Macron não hesitou em reconhecer Edmundo González como o presidente legítimo e celebrar o fim da ditadura. Esse contraste evidencia o isolamento do Brasil no cenário global, onde potências europeias e os Estados Unidos já articulam a transição de poder na Venezuela sem a participação ativa de Lula.

A vitória diplomática de María Corina Machado, que recebeu o apoio integral de Macron e Trump, coloca o governo brasileiro em uma posição de desvantagem. O Brasil deixou de ser a voz que dita os rumos da América do Sul e passou a ser um observador que critica os métodos enquanto os outros países definem o futuro da região. A insistência na defesa de uma soberania que protegia um regime autocrático afasta o país do consenso democrático internacional.

O impacto eleitoral e o combustível para a oposição brasileira

O cenário atual é um presente para a oposição ao governo Lula nas vésperas do ano eleitoral de 2026. A captura de Maduro nos Estados Unidos valida o discurso de líderes como Jair Bolsonaro e seus aliados, que sempre apontaram a proximidade entre o PT e o regime venezuelano como um risco para o Brasil. A imagem de Maduro algemado e levado para Nova York para responder por tráfico de drogas é um golpe simbólico fortíssimo contra a narrativa do governo brasileiro.

A tendência é que a direita utilize esse evento para questionar a moralidade da política externa de Lula. O trunfo da queda das tarifas comerciais pode ser ofuscado pela acusação de que o governo brasileiro está do lado errado da história ao não comemorar a queda de um tirano. Com o enfraquecimento da esquerda no continente, o isolamento do Brasil se torna um desafio interno capaz de influenciar o ânimo do eleitorado que busca uma mudança de rumo e uma postura mais firme contra regimes autoritários.

Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/mundo/elefante-na-sala-maduro-atrapalha-quimica-entre-trump-e-lula.html

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