Livro sobre tubérculo amazônico é semifinalista do Jabuti Acadêmico 2025

A obra que está concorrendo é 'Ariá: um alimento de memória afetiva', organizado pela pesquisadora do Inpa Noemia Ishikawa

Livro do Inpa e Editora Valer é semifinalista do Jabuti Acadêmico em duas categorias - Foto: Divulgação

O livro “Ariá: um alimento de memória afetiva“, fruto da parceria entre a Editora Valer e a Editora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi selecionado como semifinalista da 2ª edição do Jabuti Acadêmico. A obra concorre em duas categorias: Ilustração, de autoria de Hadna Abreu, e Divulgação Científica, com autoria e organização de diversos pesquisadores, incluindo Noemia Ishikawa, do Inpa.

O livro investiga o ariá (Goeppertia allouia), um tubérculo amazônico tradicional que tem desaparecido das feiras e mercados regionais. A inspiração para a obra veio das memórias de infância de Dona Nora, avó materna do coautor Eli Minev-Benzecry, de 17 anos.

Para Neiza Teixeira, coordenadora editorial da Valer e professora doutora em Filosofia, ser semifinalista do Jabuti Acadêmico é motivo de grande satisfação, pois ressalta a importância social e cultural do livro. “Além disso, do ponto de vista local, remete a população amazônica para o reencontro com a sua cultura, com o seu chão. É um trabalho que ultrapassa a gastronomia e a economia: é um reencontro de seres”, destacou.

O Prêmio Jabuti é uma das mais importantes premiações literárias do Brasil. O Jabuti Acadêmico foi criado para contemplar obras científicas e técnicas, como o livro “Ariá”, que se insere nesse perfil por ser oriundo de pesquisas.

Obra bilíngue, sensorial e científica

“Ariá” possui um rico valor histórico, pois seus usos e modos de preparo representam a resistência cultural de um povo marginalizado. A produção do livro é resultado da colaboração entre autores indígenas e não indígenas para registrar esse valor precioso.

Neiza Teixeira ressaltou o caráter multicultural e intergeracional da publicação: “A obra evidencia a amazonidade e valoriza a auricularidade, um saber que se transmite pela escuta. Ela promove um diálogo entre o conhecimento ancestral dos povos originários e a ciência, sem hierarquias.”

O livro inclui tradução para a Língua Ye’pâ-masã (Tukano), feita por Rosilda Maria Cordeiro da Silva, e ilustrações de Hadna Abreu. A publicação também apresenta receitas de chefs renomados, tendo o ariá como ingrediente principal.

O diretor do Inpa, Dr. Henrique Pereira, prefacia a obra, destacando o potencial do ariá como aliado em tempos de crise climática: “Este livro pode inspirar uma nova valorização dos alimentos e práticas culturais essenciais às comunidades amazônicas.” Ele reforça que a obra é um convite para celebrar o mundo amazônico e sua sociobiodiversidade, promovendo sustentabilidade e soberania alimentar.

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