Ligação do PCC com a máfia italiana: Tráfico de drogas e armas expande influência criminosa na Europa

Foto: Divulgação

As investigações da Operação Eureka, conduzidas pelas autoridades italianas e brasileiras, revelaram uma conexão inquietante entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a ‘Ndrangheta, máfia calabresa conhecida por seu domínio global no tráfico de drogas.

Documentos inéditos obtidos pela operação detalham como essas organizações colaboraram em transações de cocaína e armas de grosso calibre, com implicações que vão além das fronteiras brasileiras e italianas, atingindo diretamente o mercado europeu.

Conforme o jornal O Estadão, as negociações entre o PCC e a ‘Ndrangheta giravam em torno da troca de cocaína brasileira por fuzis AK-47, que seriam obtidos no Paquistão e enviados ao Brasil.

As mensagens interceptadas pelo sistema Sky ECC, utilizado por criminosos para evitar rastreamento, mostram que o mafioso italiano Rocco Morabito, com ajuda de intermediários como Pietro Fotia e Francesco Gligora, negociou 400 fuzis com traficantes paquistaneses.

O objetivo principal da aquisição, conforme suspeitam promotores brasileiros, era fortalecer as operações do PCC, incluindo um plano de resgate de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção detido em Brasília.

A facção chegou a recrutar paramilitares e mercenários treinados no Paraguai para missões de alta complexidade, incluindo a tentativa de invasão de penitenciárias.

Europa como ponto estratégico

Os efeitos da aliança criminosa ressoam com força na Europa. As investigações apontam que o Porto de Gioia Tauro, na Calábria, é um dos principais pontos de entrada da cocaína brasileira. A droga, enviada em contêineres, é redistribuída por membros da ‘Ndrangheta em países como Bélgica, França e Suíça.

Os lucros são astronômicos: enquanto o quilo da cocaína era negociado por €5,3 mil no Brasil, o valor alcançava até €26 mil no mercado europeu. Essa dinâmica sustenta não apenas as operações do PCC, mas também reforça o domínio da máfia italiana no tráfico internacional.

Outro ponto crucial das investigações foi o uso de tecnologia avançada pelos criminosos. O Sky ECC, um sistema criptografado com servidores baseados na França, foi fundamental para as comunicações entre as organizações.

Apesar da derrubada do sistema pela polícia francesa em março de 2021, ele expôs uma rede global de tráfico envolvendo brasileiros, mafiosos italianos, traficantes servo-montenegrinos e até grupos chineses especializados em lavagem de dinheiro.

Europa e Brasil

A colaboração entre o PCC e a ‘Ndrangheta não apenas fortalece essas organizações criminosas, mas também amplia sua influência geopolítica. Na Europa, o aumento do fluxo de drogas intensifica os desafios das autoridades locais em combater o narcotráfico, especialmente em portos estratégicos como o de Antuérpia, na Bélgica, onde redes semelhantes operavam até serem parcialmente desarticuladas.

No Brasil, a aliança representa uma ameaça direta à segurança pública, com o fortalecimento do arsenal bélico do PCC, que pode ser utilizado em ações de grande impacto, como ataques a autoridades ou invasões de presídios.

A Operação Eureka destaca a importância da colaboração internacional no combate ao crime organizado. A troca de informações entre autoridades brasileiras, italianas e francesas foi essencial para mapear as operações dessas facções.

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