José Jerí assume mandato após impeachment de Dina Boluarte

Posse ocorre após o impeachment da agora ex-presidente Dina Boluarte, em meio a uma profunda crise de segurança que assola a nação

Líder do Congresso do Peru, José Jeri, assumiu a presidência do país sul-americano na sexta-feira – Foto: CHRISTIAN SIERRA / AFP

O Peru tem um novo presidente interino. José Jerí, de 38 anos, assumiu o cargo na sexta-feira (10), tornando-se o sétimo chefe de Estado do país em apenas cinco anos. A posse ocorreu após o impeachment da ex-presidente Dina Boluarte, destituída em meio a uma grave crise de segurança pública.

Em seu discurso de posse, Jerí pediu “calma e tranquilidade” à população e prometeu priorizar a “guerra contra a delinquência”, tema central de sua agenda de governo.

Primeiras ações: operação em presídios

Logo nas primeiras horas de seu mandato, Jerí comandou uma operação federal em presídios do país, realizada na madrugada de sábado (11). A ação teve como objetivo combater extorsões e crimes organizados coordenados de dentro das cadeias.

Segundo comunicado oficial da Presidência, foram apreendidos diversos celulares e outros materiais ilícitos em posse de detentos.

Nas redes sociais, o novo presidente publicou imagens da operação ao lado de agentes policiais e afirmou:

“O crime não descansa, nós também. Seguiremos combatendo a delinquência nas 24 horas do dia, nos sete dias da semana. Sem trégua, sem medo e com decisão.”

Perfil e trajetória política

Advogado e político de direita, José Jerí era presidente do Congresso peruano desde julho de 2024, após uma rápida ascensão iniciada com sua eleição como deputado em 2021.

Durante seu discurso ao Parlamento, reafirmou o compromisso com o combate ao crime organizado e a realização de eleições transparentes em 2026:

“O principal inimigo está nas ruas, nas gangues e organizações criminosas. Eles são nossos inimigos hoje, e devemos declarar guerra a eles.

Jerí deverá permanecer no cargo até julho de 2026, três meses após as eleições presidenciais previstas para abril.

Crise e impeachment de Dina Boluarte

A queda de Dina Boluarte foi impulsionada pela insatisfação popular com a escalada da violência e pela percepção de inabilidade política de seu governo em lidar com o problema.

O estopim para o impeachment foi um ataque a tiros durante um show da banda Agua Marina, em Lima, que deixou um morto e vários feridos, horas antes da votação no Congresso.

Com isso, o Peru mantém o histórico de instabilidade institucional: desde 2018, o país já teve três presidentes destituídos e dois que renunciaram antes de sofrer impeachment.

Controvérsias e acusações

A posse de José Jerí reacendeu polêmicas sobre uma acusação de abuso sexual apresentada contra ele em dezembro de 2024 — caso que, segundo a imprensa local, foi arquivado pela Justiça.

Além disso, postagens antigas nas redes sociais atribuídas ao novo presidente, com conteúdo considerado machista e discriminatório, voltaram a circular e geraram críticas de setores da sociedade civil.

Dina Boluarte sob investigação

Enquanto isso, a ex-presidente Dina Boluarte é investigada pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro em um suposto caso ocorrido em 2019.

A Promotoria solicitou que ela seja impedida de deixar o país durante as investigações. Em declaração ao jornal Diario El Comercio, Boluarte negou qualquer intenção de buscar asilo político:

“Não está nem sequer no meu menor pensamento, nem no meu sentimento patriótico.”

Boluarte havia assumido o poder em 2022, após outro processo de impeachment — o do então presidente Pedro Castillo.

Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/mundo/jose-jeri-assume-presidencia-do-peru-e-se-torna-o-setimo-mandatario-em-cinco-anos.html

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