Economia Joaquim Levy projeta crescimento do PIB e estabilidade econômica em palestra na...

Joaquim Levy projeta crescimento do PIB e estabilidade econômica em palestra na FIEAM

Joaquim Levy apresenta análise do cenário econômico global e seus impactos para o Brasil durante palestra na FIEAM – Foto: Divulgação

A conjuntura econômica do país é de estabilidade, apresentando um cenário favorável para o crescimento no médio prazo. Para que isso se concretize, o governo deve seguir medidas rigorosas de controle de gastos e da inflação. O resultado esperado é a queda gradativa dos juros, o aumento dos investimentos e a expansão do Produto Interno Bruto (PIB).

Esse panorama foi traçado pelo ex-ministro da Fazenda e atual diretor do Banco Safra, Joaquim Levy, em palestra para empresários na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM).

O presidente da FIEAM, Antonio Silva, agradeceu a presença de Levy, destacando que o economista trouxe uma visão essencial sobre o cenário da economia, especialmente para o Amazonas, que possui forte sustentação no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Metas econômicas

Para Levy, o Brasil deve aproveitar o cenário externo para consolidar uma estabilidade gradual. Ele projeta um crescimento do PIB em torno de 2,5% ao ano, com uma meta de déficit primário de 0,5% (quando as despesas superam as receitas). Mesmo com o choque do petróleo tensionando os preços, a expectativa é que a inflação fique pouco acima dos 3%.

“Temos um cenário favorável para o crescimento”, destacou o ex-ministro.

Setor naval

Uma das boas notícias para o Amazonas é o aumento dos investimentos na indústria naval. A construção de balsas e empurradores na região deve reduzir os impactos logísticos que historicamente pesam sobre a atividade econômica local.

Levy, que é engenheiro naval e doutor em Economia pela Universidade de Chicago, reforçou que essa infraestrutura é vital para o escoamento da produção.

Cenário externo

Apesar dos conflitos no Oriente Médio e da pressão nos combustíveis, a conjuntura internacional é considerada adequada para o Brasil. Levy apontou que a alta do petróleo eleva as receitas do governo.

Sobre os EUA, ele citou que a inflação deve subir e o consumo cair, mas sem medidas exageradas do FED. Mencionou também a proposta orçamentária do governo Trump, que pretende enxugar a máquina em US$ 70 bilhões, mas elevar os gastos com defesa em US$ 500 bilhões.

Parceria chinesa

A China segue como um parceiro estratégico fundamental. Após superar sua crise imobiliária, o país mantém a demanda por produtos primários brasileiros, o que garante o superávit comercial. Os destaques ficam para as commodities agropecuárias e energéticas, especialmente a soja e o petróleo.

Déficit público

Levy comparou o déficit primário do Brasil, atualmente em -0,4% do PIB, com outras nações em desenvolvimento:

  • México: superávit de 1,5%
  • África do Sul: -0,35%
  • Chile: -0,62%
  • Turquia: -0,73%
  • Índia: -1,83%

O economista ressaltou a necessidade de cumprimento da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para garantir a saúde financeira do país.

Gastos públicos

As despesas discricionárias, excluindo saúde e educação, caíram de 1,5% do PIB em 2010 para menos de 1% neste ano. A mesma tendência de queda foi observada com gastos de pessoal e encargos.

O governo projeta metas de superávit primário em 0,5% do PIB em 2027, 1,0% em 2028 e 1,25% em 2029. Levy citou Roberto Campos Neto, reforçando que resultados positivos entre 1% e 2% estimulariam um círculo virtuoso na economia.

Aporte privado

O motor da resposta econômica é o investimento privado.

“Empresário é um bicho diferente e vê as oportunidades”, afirmou Levy, notando que os aportes cresceram significativamente após a pandemia.

Sobre a inflação, ele destacou que as medidas do Banco Central ajudaram a frear a inadimplência das famílias e empresas, que caiu para menos de -2% do PIB em janeiro deste ano, após ter chegado perto de 3% em 2021.

ASCOM

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