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Inverno amazônico expõe moradores de Manaus a uma ameaça que vem do chão

Foto: Divulgação/Semsa

O aumento das chuvas em Manaus traz um desafio que vai muito além da logística urbana. Com o solo encharcado e as tocas inundadas, serpentes, aranhas e escorpiões buscam refúgio em ambientes secos, transformando residências em abrigos de risco. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o volume de notificações de acidentes já ultrapassa a marca de 390 casos, evidenciando que o perigo está literalmente dentro de casa.

A dinâmica biológica no Amazonas é ditada pelo nível das águas. A bióloga Shelley Samia Fernandes, que atua no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) Dr. Carlos Durand, explica que o desalojamento desses animais é inevitável. Ao buscarem alimento e abrigo, eles acabam ocupando frestas e locais escuros nos imóveis.

“Esses animais acabam encontrando esconderijos em frestas e debaixo de móveis, mas principalmente de entulho e lixo acumulado” afirma Shelley Samia.

A especialista reforça que a limpeza rigorosa é a única barreira eficiente contra essa migração forçada.

Dados e locais com maior registro de acidentes

O monitoramento realizado pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/Net) revela que o risco é acentuado em áreas de expansão urbana e próximas a rodovias. Os bairros Cidade Nova e as localidades ao longo da BR-174 lideram o ranking de ocorrências, seguidos por Jorge Teixeira e Compensa.

Confira os bairros mais afetados em Manaus

  • Cidade Nova: 31 casos.
  • BR-174 (localidades próximas): 31 casos.
  • Jorge Teixeira: 24 casos.
  • Compensa e Cidade de Deus: 18 casos cada.
  • AM-010 (comunidades rurais): 16 casos.
  • Colônia Antônio Aleixo: 14 casos.
  • Alvorada: 13 casos.
  • Tarumã e Novo Aleixo: 12 casos cada.

A rede de atendimento e o uso de soros específicos

Um ponto que gera confusão entre a população é onde buscar ajuda. Embora a Semsa faça o monitoramento por meio da Diretoria de Vigilância Epidemiológica, Ambiental, Zoonoses e da Saúde do Trabalhador (Dvae/Semsa), o tratamento curativo é centralizado.

“A Fundação de Medicina Tropical, da rede estadual, é o serviço de saúde que disponibiliza soro antiofídico, antiaracnídico ou antiescorpiônico”, informa Marinélia Ferreira, diretora da Dvae.

É fundamental que a vítima seja levada diretamente para esta unidade em casos de envenenamento grave, pois o tempo é um fator determinante para evitar complicações.

Medidas práticas de prevenção e emergência

Para evitar que o “habitat natural” desses animais se confunda com o seu quintal, algumas medidas são essenciais, especialmente em casas com crianças e idosos, que são os grupos mais vulneráveis.

  • Vedação técnica: Ralos devem ser mantidos fechados e frestas em portas e janelas devem ser eliminadas.
  • Cuidados com vestuário: Sacudir roupas e sapatos antes de usar é uma regra de ouro no inverno amazônico.
  • Dedetização consciente: O serviço deve ser realizado apenas por empresas regularizadas, seguindo protocolos de segurança.
  • Serviço de captura: Em caso de encontro com o animal, não tente a captura manual. O CCZ atende via WhatsApp pelo número (92) 98842-8359.
  • Resgate em áreas remotas: Para ocorrências na zona rural fluvial, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) deve ser acionado imediatamente.

ASCOM: Eurivânia Galúcio/Semsa

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