
A realização do curso de horticultura familiar no Ramal do Jangada, em Rio Preto da Eva, na última quarta-feira, 1º/3, acende uma luz sobre o potencial da agricultura de pequena escala no Amazonas. Localizado no quilômetro 102 da rodovia AM-010, o grupo de 23 moradores recebeu treinamento prático e teórico ministrado pela Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror). A iniciativa é um passo importante para transformar sítios em unidades produtivas, mas o sucesso real depende do que acontece depois que os instrutores vão embora.
Capacitar o produtor rural é a base para combater o desperdício e aumentar a renda das famílias. No entanto, em uma região onde a logística e o acesso a insumos são desafios diários, o conhecimento técnico precisa vir acompanhado de uma rede de assistência técnica que não seja apenas pontual.
Aprendizado na prática
O curso teve carga horária de 8 horas e aconteceu na sede do Sítio Bom Jesus. Sob a orientação do instrutor José Portugal, do Departamento Pedagógico (DEPE), os alunos mergulharam em técnicas que fazem a diferença entre uma colheita farta e a perda do plantio.
- Preparo do solo: orientações sobre como tratar a terra para receber as sementes.
- Manejo técnico: instruções sobre plantio, transplantio e adubação correta.
- Biofertilizantes: noções sobre o uso de adubos naturais para uma produção mais saudável.
- Ciclo completo: os alunos aprenderam desde a lavagem das hortaliças até o momento ideal da colheita.
“Esse curso, para mim, foi de grande importância. Agora eu vou poder terminar a horta em casa, né? Porque hoje eu aprendi muita coisa, pelo que agradeço ao secretário Daniel Borges pelo incentivo à nossa atividade na produção rural”, destacou o participante Joaquim Vicente.
Ciclo de produção
Os moradores colocaram a mão na massa e plantaram itens fundamentais para o consumo e a comercialização, como alface, cebolinha, tomate e couve. O desafio agora entra em uma fase crítica de 45 dias, período necessário para acompanhar a germinação e o desenvolvimento das plantas até a colheita final.
A promessa da SEPROR é manter o acompanhamento junto aos moradores durante esse intervalo. Esse monitoramento é o que separa um projeto de “vitrine” de uma mudança real na vida das famílias. Sem o suporte para enfrentar pragas ou variações climáticas típicas do nosso estado, o entusiasmo inicial pode murchar junto com as mudas.

Futuro do ramal
Incentivar a horticultura familiar no entorno de Manaus é estratégico para reduzir o preço dos alimentos na capital e fortalecer a economia dos municípios vizinhos. Rio Preto da Eva já é um polo reconhecido, mas ramais como o do Jangada ainda precisam de mais visibilidade e infraestrutura.
O curso ministrado pela SEPROR é um excelente ponto de partida. Se o Governo do Amazonas conseguir manter a regularidade dessas capacitações e facilitar o escoamento dessa produção, o Ramal do Jangada poderá se tornar um exemplo de sustentabilidade. A educação rural é o melhor adubo para o desenvolvimento do interior, desde que seja tratada como prioridade permanente.










