Gol corta voos para Miami e Bogotá e Manaus sente o impacto imediato

O anúncio de que a capital amazonense perderá rotas internacionais importantes nas próximas semanas acende um alerta sobre a fragilidade da nossa malha aérea. Manaus ocupa uma posição estratégica na América do Sul e possui um dos polos industriais mais relevantes do continente. No entanto, a decisão da Gol de encerrar os voos diretos para Bogotá e suspender a operação para Miami mostra que a conectividade da região ainda enfrenta turbulências econômicas e operacionais severas.

A rota para Bogotá, que havia sido iniciada com grande expectativa em abril de 2025, terá sua última decolagem pela Gol no dia 23 de fevereiro de 2026. Esse movimento reduz as opções de quem busca conexões rápidas com o mercado vizinho e sobrecarrega a operação da Avianca, que passará a ser a única a realizar o trajeto direto entre as duas cidades. O encerramento de um voo que não completou sequer um ano de operação é um sinal claro de que o equilíbrio entre custos operacionais e demanda ainda é um desafio para as companhias brasileiras.

O vácuo deixado pela saída da rota para Miami

Um dos pontos mais críticos desse novo cenário é o encerramento da ligação direta entre Manaus e Miami. A Gol manterá a operação apenas até o dia 31 de janeiro de 2026. A partir desta data, a capital amazonense ficará sem nenhuma companhia aérea operando voos regulares e sem escalas para os Estados Unidos, o que representa um retrocesso significativo para o turismo e para os negócios internacionais.

  • A rota para Miami era fundamental para o escoamento de executivos e para o turismo de compras.
  • O fim do voo direto obriga o passageiro de Manaus a fazer conexões em Brasília, São Paulo ou em outros hubs internacionais, aumentando consideravelmente o tempo de viagem.
  • A falta de concorrência direta tende a encarecer as passagens para quem precisa viajar à Flórida partindo do Amazonas.

A crise de custos no setor aéreo regional

O problema não se restringe apenas ao Amazonas. A Latam também anunciou suspensões de rotas importantes que ligam o Peru ao Brasil, afetando diretamente a conexão entre Lima e Florianópolis a partir de 28 de março. A motivação para esses cortes na malha aérea internacional parece ter uma raiz comum, o aumento de custos operacionais e de taxas aeroportuárias em pontos de conexão estratégica.

  • A criação da Tarifa Unificada de Uso Aeroportuário de transferência internacional em Lima tornou diversas rotas inviáveis para a Latam.
  • Além de Florianópolis, destinos como Orlando, Curaçao e Tucumán deixarão de ter voos diretos a partir da capital peruana.
  • Essa reorganização global das empresas foca na rentabilidade imediata, muitas vezes sacrificando mercados que ainda estavam em fase de consolidação.

Orientações para os passageiros afetados

As pessoas que já possuem bilhetes emitidos para as datas após a suspensão devem ficar atentas aos seus direitos e às regras de reembolso ou reacomodação. A Gol já estabeleceu diretrizes específicas para lidar com os clientes que seriam transportados para Bogotá ou Miami após os prazos de encerramento.

  • Clientes com passagens compradas diretamente com a Gol podem solicitar a remarcação, pedir crédito para viagens futuras ou exigir o reembolso integral.
  • Passageiros que utilizaram milhas Smiles devem realizar a gestão de suas reservas pelos canais de atendimento específicos do programa de fidelidade.
  • Quem adquiriu os bilhetes por meio de agências de turismo deve procurar o agente responsável para verificar as alternativas de voo oferecidas pela companhia.

A suspensão dessas rotas é um lembrete de que a infraestrutura aérea do Amazonas precisa de políticas que garantam a sustentabilidade das operações de longo prazo. Sem voos diretos para grandes centros como Miami e Bogotá, Manaus corre o risco de ver seu potencial de crescimento internacional limitado por uma logística cada vez mais complexa e custosa.

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