
A noite deste último domingo, 11/1, ficará marcada como um dos capítulos mais gloriosos da cultura nacional no exterior. O cinema brasileiro não apenas marcou presença, mas dominou as atenções durante a cerimônia do Globo de Ouro em Los Angeles. O longa “O Agente Secreto” conquistou o troféu de melhor filme em língua não inglesa, enquanto Wagner Moura alcançou um feito inédito ao ser premiado como melhor ator em filme de drama. Mais do que uma vitória estética, os discursos nos bastidores revelaram um setor que se sente novamente pulsante e conectado com as transformações sociais do país.
O reconhecimento internacional vem em um momento de reconstrução e forte posicionamento político. O diretor Kleber Mendonça Filho, acompanhado da produtora Emilie Lesclaux, aproveitou a visibilidade para traçar um paralelo entre a arte e o cenário institucional do Brasil. Para os realizadores, o prêmio é o reflexo de um país que volta a olhar para si mesmo com coragem e espírito crítico após anos de instabilidade.
O desabafo de Kleber Mendonça Filho e o papel social da arte
Logo após receber a estatueta, Kleber Mendonça Filho conversou com a imprensa e não fugiu de temas sensíveis. O cineasta relembrou a trajetória recente da política brasileira e como isso afetou a produção cultural. Em suas palavras, o cinema serve como um termômetro das angústias de um povo e uma ferramenta essencial para a preservação da memória coletiva.
“Há cerca de dez anos, o Brasil sofreu uma guinada bem drástica à direita e esses tempos agora se foram, com o ex-presidente agora preso. Ele foi epicamente irresponsável em não liderar o país e realmente acho que o cinema pode ser uma forma de expressar algumas insatisfações que temos em termos de sociedade”, afirmou o diretor aos jornalistas presentes.
O cineasta também deixou um recado para as novas gerações de contadores de histórias, especialmente os americanos. Ele destacou que vivemos uma era de ouro em termos de tecnologia e que os jovens diretores devem usar essas ferramentas para falar abertamente sobre o que está acontecendo em suas próprias comunidades.
Wagner Moura conquista prêmio inédito para o país
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a consagração de Wagner Moura. O ator, que já tem uma carreira internacional sólida, subiu ao palco para receber o Globo de Ouro de melhor ator em drama, algo que nenhum brasileiro havia conseguido até então nesta categoria. Sua atuação em “O Agente Secreto” foi descrita pelos críticos como visceral e humana, consolidando seu nome entre a elite do cinema mundial.
A produtora Emilie Lesclaux resumiu o sentimento da equipe com a seguinte declaração:
- É um momento de muita emoção para todos nós que fazemos cinema no Brasil.
- Estamos vivendo um dia de cada vez e tentando aproveitar cada segundo dessa campanha vitoriosa.
- O orgulho que sentimos hoje é compartilhado com toda a indústria audiovisual brasileira.
Diversidade e novas categorias marcam a edição de 2026
Além do sucesso brasileiro, a premiação deste ano trouxe novidades e confirmou favoritismos em Hollywood. Um dos destaques foi a estreia do troféu voltado para podcasts, vencido pela comediante Amy Poehler. O evento também celebrou produções que focam na sensibilidade e nas conexões humanas, como destacado pela diretora Chloé Zhao, vencedora por “Hamnet”.
Confira outros nomes que brilharam na cerimônia de ontem:
- Rose Byrne levou o prêmio de melhor atriz em comédia ou musical por seu trabalho em “Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria”.
- Stephen Graham confirmou o favoritismo ao vencer como melhor ator em minissérie por “Adolescência”.
- A produção “Adolescência” também foi eleita a melhor minissérie do ano pela crítica internacional.
- Chloé Zhao refletiu sobre a necessidade de conexões reais na sociedade moderna como motor para o cinema atual.
A vitória brasileira no Globo de Ouro funciona como um combustível para a campanha rumo ao Oscar. Com o prestígio em alta e o apoio da crítica global, “O Agente Secreto” e Wagner Moura entram definitivamente no radar das maiores premiações do ano, provando que o cinema nacional tem voz própria e fôlego para dialogar com qualquer público no mundo.











