
A recente operação do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) em Manacapuru (a cerca de 93 quilômetros de Manaus via terrestre) não é apenas uma ação de rotina, mas um grito de alerta para a sociedade amazonense. Ao aplicar multas que ultrapassam os R$ 2 milhões e apreender cem toneladas de pescado irregular, o órgão ataca diretamente uma estrutura que coloca em risco a saúde de milhares de famílias, especialmente em um momento onde o medo da doença de Haff volta a assombrar a região.
O que mais impressiona neste caso não é apenas o volume de peixe sem procedência, mas a audácia dos responsáveis. A resistência em acatar ordens legais e o descumprimento de embargos administrativos revelam um desrespeito perigoso às instituições e, principalmente, ao consumidor final.
O perigo invisível da doença de Haff e o papel da fiscalização
A doença de Haff, popularmente chamada de “doença da urina preta”, está intimamente ligada ao consumo de peixes que não passaram por um processo adequado de conservação ou que foram capturados em condições duvidosas. Quando um estabelecimento opera sem licença ambiental, ele ignora todo o protocolo sanitário necessário para garantir que o alimento chegue à mesa com segurança.
“Não podemos aceitar que pescado sem controle sanitário e de origem ilegal circule no Amazonas” afirmou Gustavo Picanço, diretor-presidente do (Ipaam).
A decisão de acionar o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) é um passo necessário para que a punição vá além do bolso e alcance a esfera criminal, dada a reincidência e o risco à vida.
Entenda os detalhes da operação em Manacapuru
Para que o leitor compreenda a gravidade da situação encontrada no bairro Terra Preta, listamos os principais pontos da autuação:
- Apreensão recorde: Cerca de cem toneladas de pescado foram retidas, um volume avaliado em aproximadamente R$ 1,5 milhão.
- Multas pesadas: O somatório das infrações chegou a R$ 2.010.500, valores que serão destinados ao Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema).
- Apoio policial: A ação contou com o suporte do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb) da Polícia Militar, essencial diante da resistência dos proprietários.
- Reincidência comprovada: O estabelecimento já estava sob embargo, mas continuava operando ilegalmente pela rodovia (AM-070), o que agrava juridicamente a situação dos envolvidos.
A responsabilidade do consumidor na preservação da saúde pública
É tentador buscar preços mais baixos em feiras e frigoríficos, mas o barato pode custar a vida em casos de contaminação por toxinas de peixes mal conservados. A orientação dos órgãos ambientais é clara, e o consumidor possui um papel fiscalizador fundamental.
Ao comprar pescado, exija sempre a nota fiscal e verifique se o local possui as licenças de operação visíveis. O licenciamento ambiental do (Ipaam) e o selo de inspeção sanitária não são meras burocracias, mas garantias de que aquele alimento foi refrigerado corretamente e segue normas de higiene rigorosas.
A intensificação das fiscalizações em todo o estado é uma resposta necessária, mas a conscientização da população é o que realmente fecha o cerco contra os maus empresários que lucram colocando a saúde pública em xeque. O Amazonas, terra da maior diversidade de peixes do mundo, merece um mercado que respeite tanto a natureza quanto o prato do cidadão.










