
A mobilidade urbana na zona Leste de Manaus passou por um crivo rigoroso na tarde de terça-feira, 10/3. A prefeitura, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), realizou a operação “Transporte Legal” na avenida Cosme Ferreira, um dos eixos mais movimentados da capital. O foco da ação foi o Terminal de Integração 5 (T5), onde o fluxo de passageiros que dependem dos serviços de alternativo e executivo é massivo e constante.
Embora o transporte complementar seja uma peça fundamental para suprir lacunas que o sistema convencional não alcança, a precariedade de alguns veículos coloca em xeque a integridade física dos usuários. A fiscalização não é apenas um ato burocrático, mas uma necessidade urgente em uma cidade onde o transporte de massa enfrenta desafios estruturais históricos.
Irregularidades que geram riscos
Durante a varredura das equipes de fiscalização, o cenário encontrado em cinco veículos flagrados com infrações foi preocupante. As irregularidades expõem a falta de zelo de alguns permissionários com o serviço público que prestam. Entre os problemas identificados, destacam-se:
- Veículos em estado crítico de conservação, incluindo um carro circulando sem as janelas traseiras
- Condutores operando o transporte de passageiros sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH)
- Automóveis com o licenciamento anual vencido, impedidos legalmente de circular
- Desrespeito aos itens básicos de segurança viária que protegem ocupantes e terceiros
Para o chefe da fiscalização de transporte do IMMU, Val Freitas, a rigidez nas vistorias é o único caminho para prevenir tragédias.
“Um veículo em má-condições de conservação representa um risco para todos no trânsito, não apenas para os passageiros. Quando se trata do transporte de pessoas, esse cuidado deve ser ainda mais rigoroso”, afirmou Val.
A voz de quem depende do serviço
Para o cidadão comum, a presença do poder público nas ruas traz uma sensação de amparo. O mecânico Fernando Salgado, de 42 anos, acompanhou a movimentação no bairro Jorge Teixeira e ressaltou que, muitas vezes, o passageiro só percebe o perigo quando já está dentro do veículo.
“Essa fiscalização proporciona mais segurança para aqueles que utilizam esse meio de transporte diariamente para ir ao trabalho”, relatou.
A operação “Transporte Legal” também desempenhou um papel educativo, instruindo motoristas sobre a manutenção preventiva e a regularização documental. No entanto, o debate que fica para a sociedade manauara é sobre a necessidade de investimentos mais robustos no sistema como um todo, para que o usuário não precise escolher entre a agilidade do transporte complementar e a sua própria vida.
Equilíbrio entre serviço e legalidade
Garantir que o transporte executivo e o alternativo funcionem dentro da lei é um passo essencial para a modernização da capital. A fiscalização contínua nos terminais e avenidas principais desencoraja a informalidade e valoriza os profissionais que investem na manutenção de suas frotas.
A prefeitura sinaliza que as operações serão intensificadas em outras zonas da cidade. O objetivo é assegurar que o direito de ir e vir do manauara seja respeitado com veículos que ofereçam, no mínimo, dignidade e segurança técnica.
ASCOM: Naira Nascimento/IMMU










