Fim da mamata? Congresso discute cortar penduricalhos e privilégios de servidores

Restringir "penduricalhos" é uma das propostas do texto, que aborda também limitação do trabalho remoto e fim de férias de 60 dias

Grupo de trabalho criado pela Câmara para discutir a reforma administrativa Fonte: Agência Câmara de Notícias – Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

A Reforma Administrativa retorna à pauta do Congresso Nacional com o objetivo de modernizar e alterar as regras de funcionamento da administração pública brasileira. As propostas, elaboradas pelo Grupo de Trabalho coordenado pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), foram apresentadas nesta quinta-feira (2) e prometem gerar grande debate, especialmente em temas como supersalários e regras de trabalho do funcionalismo.

O trabalho resultou em 70 propostas distribuídas em três eixos legislativos principais: uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), um PLP (Projeto de Lei Complementar) e um PL (Projeto de Lei).

  1. Combate aos supersalários e limitação de privilégios

O ponto mais sensível da reforma é o esforço para conter os altos salários no serviço público. O foco é limitar as verbas indenizatórias, popularmente conhecidas como “penduricalhos”, que atualmente permitem que a remuneração de servidores ultrapasse o teto constitucional (o salário de ministros do STF, hoje em R$ 46 mil).

A proposta não elimina os penduricalhos, mas cria regras rigorosas para sua concessão e crescimento:

  • Critérios de Concessão: As verbas indenizatórias só poderão ser concedidas se tiverem natureza reparatória (para compensar despesas) e natureza episódica (o pagamento não pode se tornar rotineiro ou permanente).
  • Teto de Acúmulo: Se o salário base do servidor for igual ou superior a 90% do teto do STF, o total de auxílios e verbas indenizatórias não poderá ultrapassar 10% do vencimento mensal.
  • Controle de Gastos: Os gastos totais do órgão com penduricalhos não poderão ser superiores aos registrados no ano anterior, corrigidos apenas pela variação da inflação.
  • Pagamento Retroativo: Pagamentos retroativos de verbas indenizatórias só poderão ocorrer após decisão judicial definitiva.
  • Exceções: Auxílios essenciais (alimentação, saúde e transporte) não estarão sujeitos a essas novas regras de limitação.
  1. Mudanças nas regras de trabalho e férias

A PEC apresenta duas mudanças que devem impactar diretamente o cotidiano dos servidores:

Limitação do Trabalho Remoto

A proposta busca regulamentar e restringir o teletrabalho na administração pública:

  • O servidor poderá trabalhar remotamente por apenas um dia na semana.
  • O total de servidores em regime de teletrabalho não poderá ultrapassar 20% do quadro de pessoal.
  • Servidores em home office deverão residir no local de lotação.

Fim das férias de 60 dias

O texto visa acabar com o privilégio de férias superiores a 30 dias para a maioria das categorias. A exceção será mantida apenas para professores e profissionais de saúde que trabalham expostos a fatores de risco.

Além disso, a proposta veda outros benefícios considerados privilégios:

  • Concessão de adicional de férias superior a 1/3 da remuneração.
  • Pagamento de adicional de periculosidade e insalubridade para quem não tem efetiva exposição a fatores de risco.
  • Concessão de folgas para compensar “excesso de trabalho” não comprovado.
  1. Concursos e penalidades para Magistrados

Fim da aposentadoria compulsória como punição

O deputado Pedro Paulo propõe o fim da aposentadoria compulsória com salário integral como punição para juízes e membros do Ministério Público (promotores).

  • Em caso de falta grave, a penalidade deverá ser a perda do cargo ou demissão, garantindo que o infrator não continue recebendo remuneração após o processo disciplinar.

Novas regras para concursos

A reforma também estabelece critérios para a abertura e realização de certames:

  • Concursos só poderão ser realizados mediante comprovação de necessidade, priorizando vagas em carreiras transversais (aquelas que servem a diversos órgãos).
  • Estados e municípios poderão utilizar concursos federais, como o Concurso Nacional Unificado (CNU), para a seleção de seu próprio pessoal.
  • É aberta a possibilidade de concursos para ingresso direto em cargos de alta especialização (até 5% das vagas).
  • Criação de provas para cargos temporários. Os aprovados não poderão ser contratados por mais de 10 anos, e o total desses funcionários não poderá exceder 5% do quadro.

Outras propostas

Entre as 70 propostas, há ainda:

  • Revisão anual de gastos.
  • Mecanismos de planejamento estratégico.
  • Novas regras para cargos de indicação política.
  • Previsão de bônus por resultado.
  • Limitação na criação de secretarias e aumentos de salários de prefeitos no âmbito municipal.

Próximos passos:

Os textos ainda não foram protocolados oficialmente na Câmara, pois o deputado Pedro Paulo está coletando as assinaturas necessárias para registrar a PEC. A expectativa é que o documento seja analisado nos próximos meses, sendo apontado como prioridade pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2025-10-03/reforma-administrativa-combate-supersalarios-limitando–penduricalhos-.html

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