
A tradição da Semana Santa em Manaus ganhou um reforço de peso nesta quarta-feira (01/04) com a abertura oficial do Feirão do Pescado. Organizado pela Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), o evento projeta comercializar cerca de 90 toneladas de peixe até a próxima sexta-feira.
Com pontos estratégicos na Arena Amadeu Teixeira e no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, a iniciativa conecta o produtor do interior diretamente ao consumidor da capital, tentando frear a subida característica nos preços das proteínas aquáticas neste período do ano.
Direto do produtor para a mesa
O grande diferencial desta edição é a origem do pescado. Peixes vindos de municípios como Rio Preto da Eva, Manacapuru, Itacoatiara e Presidente Figueiredo chegam às bancas com frescor e preços competitivos.
Para muitos piscicultores, o feirão funciona como uma vitrine que vai além dos três dias de evento. É o caso da comerciante Camila Barbosa, que utiliza a estrutura montada na Arena para fidelizar novos clientes que a procuram durante o restante do ano.

Logística e horários de atendimento
Para quem deseja garantir o almoço de Páscoa sem enfrentar as aglomerações típicas das grandes redes de varejo, o cronograma foi pensado para atender diferentes rotinas.
- Quarta e quinta-feira (01 e 02/04): das 7h às 19h.
- Sexta-feira Santa (03/04): das 7h às 13h.
- Locais: Arena Amadeu Teixeira (Flores) e Povos da Amazônia (Bola da Suframa).
Vantagem no bolso e no tempo
Consumidores que buscaram as primeiras ofertas relataram uma economia sensível em comparação aos supermercados, onde os preços costumam ficar mais “salgados” na véspera do feriado. O fisioterapeuta Luciano de Almeida Paz destacou que a facilidade de estacionamento e a ausência de filas quilométricas foram determinantes para sua escolha.
A diversidade de espécies, que inclui o tambaqui tradicional e o curumim já tratado, permite que o comprador leve o produto pronto para o preparo, otimizando o tempo de quem tem a vida corrida.
Fortalecimento do setor primário
A diretora-presidente da ADS, Michelle Bessa, ressaltou que a estrutura oferecida pelo poder público elimina atravessadores, o que reflete diretamente no valor final pago pela população. Essa política de apoio ao setor primário é vital para piscicultores como Tatiane Maciel, de Manacapuru.
Ela traz o peixe limpo e pronto para a panela, aproveitando o evento para fechar parcerias diretas com compradores da capital que buscam fornecimento constante e de qualidade comprovada.
Análise crítica do mercado
Apesar do sucesso do Feirão do Pescado, a dependência de eventos sazonais para garantir preços justos levanta um debate sobre a estrutura de comercialização em Manaus durante o ano todo.
O Amazonas é um dos maiores produtores de peixe de água doce, mas o consumidor local muitas vezes paga valores elevados devido à cadeia logística complexa. Iniciativas como esta provam que, quando há incentivo para a venda direta, o produtor ganha mais e o povo come melhor.
O desafio para 2026 e os anos seguintes será transformar essa facilidade de acesso em uma regra cotidiana, e não apenas em uma exceção de feriado.

Opções para todos os gostos
Seja o peixe inteiro, em bandas ou já processado, o feirão oferece uma variedade que agrada tanto aos que buscam o tradicional assado de tambaqui quanto aos que preferem o peixe de couro.
A expectativa de movimentar R$ 2,4 milhões confirma a força do setor e a importância de manter espaços amplos e organizados para que a economia local gire dentro do próprio estado, valorizando o trabalhador da terra e garantindo a segurança alimentar das famílias manauaras.










