
No coração da Amazônia, a arte ganha novas formas e cores pelas mãos de Wald Caldas. Em um trabalho que funde o clássico e o contemporâneo, o artista manauara tem se destacado por sua capacidade de resgatar e reinterpretar a cultura local. Com obras que transitam entre a tinta acrílica e o algodão cru, Caldas convida o observador a uma imersão em um universo que é, ao mesmo tempo, ancestral e moderno. Ele é um dos artistas da exposição “Traços Amazônicos”, realizada pelo Amazonas Shopping, no 2º Piso, próximo à Fábrica de Café.
Sua arte atravessa espaço e tempo, combinando história, espiritualidade e a própria vivência do artista na cidade. Inspirado pelo cotidiano, ele utiliza uma diversidade de técnicas e linguagens para criar composições que revelam as complexidades da identidade e da experiência manauara. O trabalho de Caldas vai além da tela, expandindo-se para uma poética profundamente amazônica.
Na exposição “Traços Amazônicos”, o artista apresenta quatro obras que são um convite à reflexão sobre a arte e a consciência contemporânea. Entre elas, destaca-se “Os Manauaras”, uma releitura da icônica obra “Os Operários”, de Tarsila do Amaral. Nela, Wald Caldas explora o conceito de antropofagia cultural, recriando referências externas com um olhar regional, como acontece com a música e as expressões do dia a dia de Manaus.
Outras obras que compõem a mostra são “A Feira”, que ressalta os elementos da gastronomia nortista em uma mistura de alimentos, frutas e peixes; e “Bares do Centro”, que oferece um olhar mágico e distorcido sobre o centro da cidade. Uma das mais marcantes é “Quimera da Amazônia”, que mergulha nas raízes da floresta para apresentar uma entidade encantada: um felino com asas de pássaro e cauda de serpente, simbolizando a força mítica da região.
A arte contemporânea na Amazônia, da qual Wald Caldas faz parte, tem ganhado cada vez mais projeção nacional e internacional. Longe dos estereótipos, os artistas da região utilizam suas obras para abordar questões de identidade, memória, política e meio ambiente. É um movimento que busca romper com a visão exótica e folclórica, mostrando a complexidade cultural e a vida urbana da Amazônia.
Wald Caldas se insere nesse contexto de forma particular, pois sua estética combina elementos do realismo fantástico com o expressionismo. O realismo fantástico permite que ele misture o cotidiano manauara com elementos mágicos e mitológicos, como visto em “Quimera da Amazônia”. Já o expressionismo se manifesta na forma como ele distorce a realidade para expressar sentimentos e uma visão subjetiva da cidade, como em “Bares do Centro”, onde o real e o surreal se entrelaçam.
A oportunidade de expor em um local como o Amazonas Shopping é, para Wald Caldas, um desafio e uma honra. “Já participei de inúmeras mostras, inclusive em shoppings, mas esta experiência traz um significado diferente. Estou profundamente grato por integrar esse projeto e por todo o reconhecimento que ele gera”, ele comenta. Para o artista, iniciativas coletivas como essa são essenciais para dar voz a novos talentos e fortalecer a cena cultural de Manaus.
A exposição “Traços Amazônicos” é um convite para o público mergulhar na pluralidade criativa da região, valorizando o talento dos artistas locais e a riqueza cultural da Amazônia. O trabalho de Wald Caldas, em particular, é um exemplo de como a arte pode ser um espelho da alma de um lugar, traduzindo sua história, suas lendas e a vivência de seu povo de uma forma única e impactante.
Além de Wald, a exposição conta com obras de Curumiz, Diogo Trindade, Vitória Viana, Raquel Teixeira, Malu Menezes e Mell Bemfica. Cada um deles traz uma perspectiva única sobre a Amazônia, retratando sua natureza exuberante, suas lendas e a identidade de seu povo.
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