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“Expedição Transamazônica” revela o retrato cru da BR-319 e o isolamento da Amazônia

Foto: Reprodução

A chegada da “Expedição Transamazônica” em Humaitá no sul do Amazonas nesta sexta (20/2) revela os profundos contrastes de uma região esquecida. Divulgadas pelo repórter rodoviário Joel Silva as imagens da caravana liderada pelo biólogo e apresentador Richard Rasmussen mostram não apenas a dura precariedade das estradas mas também a recepção calorosa do público local.

A comitiva partiu de Medicilândia no sudoeste do Pará e iniciou uma longa jornada de documentação. O trajeto incluiu passagens por diversas cidades afetadas pelas condições viárias.

  • Uruará, Placas, Rurópolis, Itaituba, Jacareacanga, Apuí, Santo Antônio do Matupi e Humaitá.

A jornada cumpre o objetivo de despertar a atenção do país para a falta de infraestrutura de transportes na Amazônia, sobretudo nos trechos do sul do Amazonas e sudoeste do Pará.

A visão de quem estuda a região

O professor Marcos Maurício acompanha de perto a pauta estrutural de transportes no Amazonas com ênfase no modal rodoviário e destaca a relevância dessa viagem. Ele avalia que a iniciativa ajuda a desconstruir a ilusão que muitas regiões brasileiras têm sobre o território amazônico.

“A Expedição Transamazônica é importante para desnaturalizar a forma romantizada como a Amazônia é vista em muitas outras regiões do próprio País, além de dar visibilidade às situações precárias do transporte rodoviário, como o emblemático caso da BR-319, ausência de saneamento básico, dificuldades de acesso à saúde e à educação, entre outros direitos sociais historicamente negligenciados aos Amazônidas, sobretudo os que moram no interior do Amazonas”, afirma Marcos Maurício.

Ele conclui o seu raciocínio com um alerta contundente sobre as políticas públicas disfarçadas de proteção.

“Infelizmente, a Amazônia ainda é vista de forma colonial por várias regiões do Brasil. Sob o pretexto de conservação ambiental, vários direitos sociais são negados a nossa gente”, finaliza o professor.

Isolamento e a realidade do produtor

Com saída de Humaitá rumo a Manaus, a “Expedição Transamazônica” joga luz sobre os desafios da BR-319. Richard Rasmussen que foi embaixador do ecoturismo brasileiro, descreve a capital amazonense como uma ilha cercada por rios. Ele reforça que a estrada ruim causa acidentes graves e imensas dificuldades de tráfego justificando a urgência de soluções para o isolamento terrestre.

Em uma conversa recente com o produtor rural Vinicius Borba o biólogo ouviu apelos por melhorias estruturais. O agricultor pediu que o apresentador usasse sua influência para ser um porta voz de quem produz alimento na floresta.

“Mostra a nossa realidade aí, nossa dificuldade, o que o produtor rural passa para transportar o alimento”, solicita Vinicius Borba.

Dirigindo uma picape robusta escolhida estrategicamente para suportar o desgaste da viagem o apresentador confirmou o estado crítico do asfalto.

“Os buracos que tem, mano, são monstruosos”, afirma Richard Rasmussen ao se comprometer a registrar fielmente os obstáculos e provar que a beleza local contrasta com o abandono viário.

Aventura e tristeza no mesmo caminho

Para quem vive na região o cenário passa bem longe do espírito de aventura. João um dos integrantes da expedição que percorre a Rodovia Transamazônica (BR-230) resumiu em um relato sensível o sentimento de descaso governamental que perdura por décadas independentemente de quem ocupa o cargo federal.

“Pra gente que é aventura, uma beleza; pra quem mora, uma tristeza”, fisiculturista Julio Balestrin.

O expedicionário relatou a frustração de ver placas indicando a conclusão de obras na entrada, mas encontrou na prática apenas uma pequena fração de pista com asfalto. A falta de estrutura logística barra o crescimento financeiro da população e a ausência de indústrias para escoamento da produção força os moradores a abandonarem suas raízes em busca de sobrevivência nos grandes centros urbanos.

Loucura em cima da ponte de madeira

Apesar dos enormes desafios como pontes estreitas trechos isolados e muita lama o carinho do público tem marcado o percurso. Na viagem um morador decidiu tomar uma atitude extrema para conseguir uma fotografia com o apresentador. Ele simplesmente se deitou no meio de uma ponte bloqueando totalmente a passagem do veículo da equipe.

O grupo de amigos do fã filmou toda a ação inusitada e comemorou bastante quando o automóvel foi obrigado a reduzir a velocidade e parar completamente na via.

“O Richard é mesmo louco, olha só. Nós deitamos foi na ponte para o cara parar, senão não parava”, vibra o fã visivelmente animado com o sucesso do plano.

Acostumado com o carinho popular o biólogo desceu do veículo atendeu os moradores e levou a ousadia do rapaz na brincadeira.

“Você é doido mesmo, hein?”, comenta Richard Rasmussen ao cumprimentar o jovem e posar para as fotos.

A presença do naturalista mobiliza diversas cidades criando pequenas carreatas de admiração. A estratégia de deitar na ponte reflete o impacto positivo da expedição para a população que enxerga no apresentador uma grande oportunidade de finalmente dar visibilidade nacional às dificuldades da região Norte.

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