
Após a estreia de sucesso da obra “Carta aos meus ossos: um manifesto de vida”, a atriz Neuriza Figueira apresenta ao público uma nova etapa do seu projeto artístico. A proposta agora combina a encenação teatral com a partilha do processo criativo, permitindo que os espectadores compreendam os caminhos e escolhas que construíram a cena. As sessões gratuitas ocorrem nos dias 7 e 14 de abril em diferentes pontos da capital amazonense.
Programação e locais
As apresentações buscam descentralizar o acesso à arte e acontecem em horários variados para atingir diferentes públicos.
- Data 7 de abril (terça-feira): às 19h na Escola Normal Superior (ENS), localizada na Avenida Djalma Batista, 2470, bairro Chapada.
- Data 14 de abril (terça-feira): às 16h no Instituto INOVAM, na Rua 5 de Setembro, nº 388, bairro São Raimundo, em parceria com a Fundação Capoeira.
Bastidores e memória
Antes de iniciar a encenação propriamente dita, Neuriza propõe um momento de aproximação com o público. Ela compartilha textos escritos durante o laboratório de criação “Escritas, provocações e práticas corporais”, realizado em 2024. Esses textos serviram de base para o trabalho e revelam a relação da atriz com o próprio corpo ao longo de 10 anos de carreira no cenário artístico amazonense.
As cartas que compõem o espetáculo são direcionadas às dores ósseas que acompanham a artista desde a infância. Nas palavras de Neuriza, o tom alterna entre o medo das limitações físicas e o afeto pelo próprio corpo.

“Nesse meio tempo chegamos aos 57 anos e, depois de tanto tempo sonhando acordada, entramos para o teatro. Mas, antes de começar, conversamos bastante sobre todas as possibilidades: e se as dores voltarem? E se for intensa demais? Foram tantos ‘e se’…”, escreveu a atriz em um dos trechos da obra.
Rodas de conversa
Além da performance, a programação inclui debates mediados pelas artistas convidadas Regina de Benguela e Eneila dos Santos. Ambas trazem trajetórias marcadas pela docência e pela arte, compartilhando experiências de mulheres que seguem atuantes na cena cultural após os 50 anos.
Regina de Benguela é uma importante agente cultural de Manaus e já enfrentou limitações físicas no joelho, enquanto Eneila dos Santos é docente da Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (ESAT/UEA). A presença das duas reforça o diálogo sobre os limites físicos e a permanência na arte.
Equipe técnica e fomento
O projeto conta com um time robusto de profissionais da cena local. A direção é assinada por Neuriza Figueira e Viviane Palandi, com dramaturgismo de Thaís Vasconcelos. A execução musical ao vivo fica por conta de Stivisson Menezes, com figurinos de Melissa Maia e cenário de Juca di Souza.
A montagem de “Carta aos meus ossos: um manifesto de vida” foi contemplada pelo edital de fomento para proponentes negros da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC/AM), por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O trabalho também possui parceria com diversos laboratórios de pesquisa e extensão da UEA.
ASCOM: Vívian Oliveira










