
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou 12 frigoríficos por participação em um esquema de compra de gado proveniente de terras desmatadas ilegalmente na Amazônia. A JBS opera dois dos estabelecimentos investigados.
O órgão ambiental revelou na quinta-feira (28) que os frigoríficos adquiriam gado de forma indireta. As empresas triangulavam as operações com fazendas “limpas” para esconder a origem ilegal dos animais.
O Ibama já multou seis frigoríficos em R$ 4 milhões pela compra direta de 8.172 cabeças de gado de áreas embargadas. No total, as penalidades chegam a R$ 49 milhões.
Durante a operação, o órgão apreendeu mais de 7.000 cabeças de gado em 2.100 hectares de fazendas com uso comercial bloqueado. Essas propriedades perderam a licença após desmatamento ilegal.
Empresas contestam acusações
A JBS informou que não teve acesso ao relatório de fiscalização do Ibama. A empresa considera o documento “necessário para apurar os fatos mencionados na autuação”.
A Frigol, também citada na investigação, afirmou que o Ibama cometeu erro. A empresa nega ter comprado gado da fazenda apontada como fonte de desmatamento ilegal.
A Mercúrio conta com uma empresa terceirizada para monitorar a origem dos animais abatidos. Lincoln Bueno, presidente do conselho, explicou que a companhia bloqueia compras de propriedades com irregularidades ambientais e trabalhistas.
Crime ambiental comprovado
“Produzir, vender ou comprar gado dessas áreas embargadas constitui crime ambiental”, afirma o comunicado do Ibama. O órgão promete autuar todos os responsáveis identificados na operação.
A investigação expõe práticas ilegais no setor frigorífico brasileiro. As empresas enfrentam crescente pressão internacional para comprovar a origem sustentável da carne exportada.











