
O uso de plantas medicinais, comum no dia a dia de muitas famílias amazônidas, está no centro de um projeto desenvolvido pela Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
A iniciativa vai resultar na elaboração de uma cartilha com orientações sobre o uso seguro dessas espécies, fortalecendo o diálogo entre o conhecimento popular e a prática científica.
“A proposta é fortalecer o diálogo entre ciência e tradição, ampliando o acesso à informação e incentivando práticas seguras no uso de plantas medicinais da região amazônica”, ressalta Soraia Tatikawa, diretora geral da Afya de Itacoatiara.
O projeto “Etnobotânico de Plantas Medicinais da região de Itacoatiara” é coordenado pela professora Francenilda Gualberto. A ação envolve estudantes de Medicina e pesquisadores na coleta, identificação e análise de espécies utilizadas por comunidades locais para descrever propriedades químicas e biológicas com base em evidências.
Cartilha de orientação à comunidade
A iniciativa prevê a entrega de um material educativo com informações sobre as principais plantas identificadas, incluindo formas de preparo e indicações de uso. O conteúdo deve ser concluído até o mês de junho (06/26), período necessário para a identificação técnica e o depósito do material em herbário.
- A catalogação é feita em parceria direta com a UFAM.
- O material será disponibilizado de forma online via WhatsApp e redes sociais.
- O foco é devolver o conhecimento sistematizado aos moradores e valorizar os saberes tradicionais.
“O projeto parte da escuta das comunidades para realizar a identificação das espécies e a análise de suas propriedades com base na literatura científica”, explica Francenilda Gualberto.
Benefícios e cuidados necessários
As plantas medicinais oferecem benefícios importantes devido aos compostos bioativos que possuem ação antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana. Algumas espécies auxiliam na digestão, possuem efeito calmante e contribuem para a hidratação. No entanto, a coordenação do projeto alerta para a diferença entre o hábito cultural e o uso terapêutico.
“Enquanto o uso no dia a dia está associado ao hábito cultural, o uso medicinal possui finalidade terapêutica e exige cuidados específicos quanto à dose, preparo e tempo de uso”, afirma a professora Francenilda Gualberto.
Riscos do uso incorreto
Apesar de serem naturais, as plantas contêm substâncias que podem gerar efeitos colaterais se consumidas em excesso ou sem a devida orientação. O uso medicinal precisa ser feito com responsabilidade para evitar complicações de saúde.
- Irritações gástricas e reações alérgicas.
- Sobrecarga do fígado (hepática) e dos rins.
- Riscos para gestantes e pessoas com doenças crônicas cardiovasculares.
Espécies com respaldo científico
A integração entre o saber popular e a medicina baseada em evidências garante mais eficácia nos tratamentos. Na região amazônica, diversas plantas já possuem validação científica quanto aos seus efeitos no organismo.
- Anador (Justicia pectoralis) possui ação analgésica e anti-inflamatória.
- Boldo chinês (Plectranthus barbatus) auxilia no processo de digestão.
- Capim-santo (Cymbopogon citratus) apresenta efeito calmante e antioxidante.
- Mangarataia (Zingiber officinale) tem efeito expectorante e anti-inflamatório.
- Pobre-velho (Costus spicatus) é utilizado para tratar distúrbios urinários.
- Saratudo (Justicia acuminatissima) auxilia na cicatrização e inflamações.
Além dessas, a pitanga (Eugenia uniflora) e variedades de hortelã (Plectranthus amboinicus e Mentha spp.) também integram o catálogo por suas propriedades antimicrobianas e digestivas.
Formação médica e extensão
A Afya de Itacoatiara utiliza o projeto para preparar futuros médicos no cuidado integral da população. Ao participarem das atividades de pesquisa e extensão, os estudantes adquirem competências que valorizam os conhecimentos locais e promovem a prevenção de doenças com segurança e respeito à cultura regional.
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