
A falta de informação sobre onde buscar oportunidades para inovar ainda é o principal obstáculo para o empresariado local. A avaliação é da consultora da ABGi Brasil, Tatiana Siqueira, que conduziu o workshop “Acesso ao Fomento à Inovação” no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) Amazonas.

“A maior dor que a gente encontra é que eles não sabem onde buscar essas oportunidades. Poucas pessoas sabem que existem esses recursos e onde encontrá-los”, afirmou Tatiana Siqueira.
Para a consultora, essa lacuna compromete desde a elaboração de projetos até a organização documental necessária para captar investimentos.
O evento integrou a “44ª Jornada Nacional de Inovação da Indústria”, promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com correalização da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e Sebrae Amazonas.
Modelos de apoio
Tatiana explicou que existem diferentes modalidades de fomento disponíveis para as empresas. As subvenções econômicas são as mais procuradas por serem recursos que não precisam ser devolvidos, mas exigem projetos extremamente bem estruturados devido à alta concorrência.
- Subvenção econômica: recurso financeiro sem exigência de reembolso.
- Crédito subsidiado: empréstimos com taxas de juros reduzidas.
- Bolsas de talentos: programas para inserção de especialistas nas empresas.
A consultora também destacou que a legislação brasileira atual facilita parcerias com universidades para o desenvolvimento de propriedade intelectual compartilhada.
Picolé amazônico

Entre os participantes estava o empresário haitiano Abdías Dolce, sócio da Picollere Sabores Gelados. Localizada no bairro da Paz, em Manaus, a fábrica já opera com 10 funcionários e possui mais de 30 freezers em pontos de venda pela cidade.
O diferencial da marca está na inovação dos sabores regionais. Além dos tradicionais, a empresa criou o picolé detox (couve e gengibre) e o “Branquela”, um picolé de açaí com cobertura de leite em pó, inspirado em elementos da cultura pop.
“Quando você para de aprender, você está morto. Nossa fábrica é nova e precisamos aprender muito para chegar ao nível que queremos”, afirmou Abdías Dolce.
O empresário pretende usar o fomento para ampliar a estrutura e reduzir a dependência de insumos vindos de fora do Estado.

Gestão estratégica
No workshop “Gestão da Inovação”, a consultora Fernanda Elisa D’Assunção reforçou que inovar não exige necessariamente algo grandioso. Muitas vezes, a inovação reside na melhoria de processos internos e na organização de dados básicos da empresa.
“Inovar requer tempo, energia e visão de futuro. Se eu só penso no agora, eu acabo bloqueando esse processo”, alertou Fernanda D’Assunção.
Ela apresentou conceitos como o funil de inovação e destacou que a cultura imediatista é um dos maiores entraves para o crescimento sustentável de médio e longo prazo.
Olhar regional
Para Matilde Monteiro, gerente da Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão e Interiorização do IFAM (FAEPI), o evento foi estratégico para entender as tendências dos editais voltados à região Norte. A fundação atua há 25 anos fortalecendo a ponte entre a pesquisa acadêmica e o setor produtivo por meio de mecanismos como a “Lei do Bem”.

Na área da saúde, a farmacêutica Bruna Monteiro, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUVG), destacou que a Amazônia é um campo fértil para inovações tecnológicas. A instituição integra a rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e foca agora na implementação prática de processos que tragam resultados concretos para a saúde pública.
Fique por dentro
A “Jornada Nacional de Inovação” demonstra que o caminho para a competitividade da indústria amazonense passa obrigatoriamente pela integração entre empresas, universidades e órgãos de fomento. Ao desmistificar o acesso aos recursos e profissionalizar a gestão de projetos, o ecossistema regional se fortalece, permitindo que desde pequenas fábricas de picolé até grandes centros hospitalares transformem ideias em desenvolvimento econômico real.
ASCOM









